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21 de mai. de 2015

A Cidade Olímpica tem horror a segurança. Porta arrombada, coloca-se o cadeado



A Cidade Olímpica tem horror a segurança. Porta arrombada, coloca-se o cadeado

Rio - O Rio é bonito só no plano geral. Mas no close a coisa não é bem assim. Por lá, na Cidade Olímpica, tudo é perigoso, usando frase de Caetano Veloso, e, ao mesmo tempo, tudo é divino, maravilhoso. Não se pode nem dar uma volta de bicicleta às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, nem no Aterro. Assim como não se pode usar relógio ou cordão de ouro nas ruas do Centro. Igualmente, não se deve falar ao celular caminhando pelas ruas de Copacabana ou da Tijuca. Do Méier ou de Jacarepaguá. Mas não caia na cilada de achar que é uma questão de classe social ou de ter ou não ter dinheiro. 

Nos becos e vielas das favelas, ou comunidades, é igualmente perigoso, e não se pode “andar tranquilamente na favela onde eu nasci”, porque pode vir uma bala perdida na sua direção e te encontrar. A Cidade Olímpica tem horror a segurança. É um enxugar gelo que não tem fim. Porta arrombada, coloca-se cadeado. Vai durar uma semana, se tanto, o novo esquema de segurança na Lagoa, que foi mencionado na quarta, e, com certeza, será citado pelas autoridades de segurança ao comentarem o assassinato do médico na Lagoa na noite de terça-feira. Foi assim quando esfaquearam lá mesmo um adolescente de 14 anos, para mencionar outro caso recente. É sempre assim. Na semana seguinte, como num passe de mágica, volta tudo ao normal. 

Normal? Então é normal não poder circular de bicicleta na cidade que gasta milhões para fazer dezenas de ciclovias que, por falta de segurança, ninguém vai poder usar? Ou vai ter que usar bicicleta velha, por recomendação da associação dos ciclistas? É normal prender e soltar, quase que compulsivamente, maiores e menores infratores? É claro que vai aparecer um estudioso social (que me perdoem os sérios profissionais da área que não têm compromisso político) que vai falar das diferenças sociais, da falta de oportunidades etc, etc. É óbvio que as medidas sociais são urgentes e que é preciso comprometimento dos governos com a questão da formação, educação e da criação de empregos para todos, mas é preciso também proteger a população que vive e insiste em usar a cidade onde nasceu. 

O medo é parceiro do trauma, do preconceito e do adoecimento da população. O Rio só poderá ser efetivamente uma Cidade Olímpica quando deixar de se parecer com a dona de casa relapsa, que deixa sua casa na maior bagunça, o tempo todo, mas quando vem visita arruma tudo e guarda a bagunça debaixo do tapete, para mostrar pro visitante que é organizada. Chega desta postura falsa, de que nada está acontecendo, de que vivemos numa ilha de esportes e lazer. Os fogos de artifício e as rajadas de metralhadoras estão aí. E lembre-se: andar de bicicleta pode ser fatal. Usar relógio e celular também. Como assim normal?

1 de mai. de 2015

Richa, excesso sem precedente!


As imagens de Curitiba na quarta-feira (29) e as quase duas centenas de feridos não deixam dúvida: houve violência policial além de qualquer proporção. O governador Beto Richa (PSDB), mesmo assim, continua alheio aos excessos de sua Polícia Militar.
Sim, houve agentes golpeados. Sim, alguns manifestantes tentaram romper à força o cordão da PM em torno da Assembleia Legislativa. Erraram, mas erra mais o governador tucano quando endossa o revide truculento como "uma reação natural da proteção da vida".
É uma inversão completa dos fatos. Acertar balas de borracha nos professores atenta contra a integridade dos manifestantes muito mais do que protege o policial. O mesmo se pode dizer de lançar gás lacrimogêneo na vizinhança de uma creche e de atiçar cães ferozes contra cinegrafistas.
Dito isso, há que registrar ainda o fato de os professores protestarem contra o que consideram afronta a seus direitos decorrente da inépcia do próprio Richa. É para fechar o rombo aberto pelo governador reeleito nas contas do Paraná que a Assembleia vota mudança na previdência estadual.
Marcou a gestão do tucano o descalabro financeiro, bem o oposto da imagem de bons gestores que líderes do PSDB usam cultivar. Segundo dados preliminares da Secretaria da Fazenda do Paraná, o ano da reeleição terminou com deficit de R$ 4,6 bilhões (num Orçamento de cerca de R$ 40 bilhões) e R$ 1,2 bilhão de restos a pagar.
O desequilíbrio é tal que, em 2014, o Estado viu as receitas crescerem 12% e as despesas, 43%.
Surgiu então o projeto de transferir 33 mil servidores aposentados (são 77 mil) de um fundo deficitário para outro, ora superavitário. Com a alteração, o Estado poderia poupar até R$ 1,7 bilhão ao ano.
Era essa votação pelos deputados estaduais que os professores em greve pretendiam impedir, temendo o desequilíbrio financeiro do fundo e perdas futuras. Para garantir a deliberação parlamentar, a Justiça mandou a polícia cercar a Assembleia, que havia sido invadida por docentes em fevereiro.
Beto Richa recorreu às desculpas de praxe, ressaltando que a CUT insuflou os manifestantes. Incluiu no rol de provocadores "o pessoal do PT, alguns do PMDB, PSOL e PSTU" e sugeriu a infiltração de black blocs.
Agitadores não são uma raridade nesses protestos. A polícia deve estar preparada e bem orientada para lidar com eles. Não foi o que se viu em Curitiba.
Sobre as contas do Estado, Richa disse em fevereiro que não agira com imprudência, mas com coragem. Se agora se dispuser a enxergar o óbvio, terá de reconhecer que a PM não agiu só com imprudência, mas sobretudo com covardia.