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23 de nov. de 2012

Colégios do Rio caem em ranking do Enem
Em lista que não considera nota da redação, Estado só tem uma escola entre dez melhores

RIO - O MEC divulgou nesta quinta-feira as médias por escola do Exame Nacional de Ensino Médio 2011 (Enem). O ministério mudou a forma de calcular as médias: a nova listagem contabiliza apenas as provas objetivas, sem levar em consideração as notas da redação. Na primeira colocação, ficou o Colégio Objetivo Integrado, de São Paulo. Entre as 10 instituições mais bem colocadas do país, a única do Estado do Rio é o Colégio São Bento. A escola, que havia ficado no topo do ranking do Enem 2010, quando a nota da redação entrava no cálculo, aparece agora em décimo lugar.

Veja lista das 1 mil escolas com melhor desempenho

Baixe aqui o ranking geral das escolas

A segunda e a terceira posições ficaram com o Colégio Elite Vale do Aço, de Ipatinga, e Colégio Bernoulli, de Belo Horizonte, ambos em Minas Gerais. No ranking de 2010, que levou em conta a nota da redação, o Estado do Rio teve três escolas entre as dez melhores. O Cruzeiro do Centro aparecia em sexto geral, e o Santo Agostinho, em décimo.

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Entre os 50 melhores do Brasil em 2011, o Estado do Rio está representado ainda com o Colégio São João Batista, de Nova Friburgo, na 18ª colocação; o Cruzeiro (unidade do Centro), na 28ª; o Santo Inácio, na 34ª; o Ipiranga, de Petrópolis, na 36ª; novamente o Cruzeiro (unidade de Jacarepaguá), na 42ª; Escola Bretanha, na 43ª; Instituto Gay Lussac, de Niterói, na 45ª; pH, na 47ª; e Centro Educacional Espaço Integrado, na 49ª.

Os colégios fluminenses também apresentaram uma queda de rendimento quando se compara o ranking atual com o de 2007, no qual também só foram levadas em consideração as notas das provas objetivas. Naquele ano, o Estado do Rio ficou com os três primeiros lugares e teve seis instituições entre as 20 melhores. Na relação atual, são dois colégios entre os 20 primeiros.

Como em todos os anos, O MEC não divulgou esses resultados em forma de ranking, limitando-se a informar as listas com as notas de cada escola. Segundo o ministério, somente as instituições com mais de 50% de participação entre seus alunos, e um mínimo de 10 estudantes, foram consideradas na listagem divulgada. Ainda de acordo com a pasta, a média final não leva em conta a nota da redação porque usa critérios subjetivos, sem aplicar a Teoria de Resposta ao Item (TRI), como as outras provas.

Apesar da queda, a diretora do Colégio São Bento, Maria Elisa Penna Firme Pedrosa, comemorou a posição no ranking.

— Não poderíamos ficar tristes com um resultado desses. Mas, claro, temos sempre que fazer um levantamento de como poderíamos ter ido melhor.

Maria Elisa conta que, nos últimos seis anos, vem observando certa queda no desempenho geral dos alunos. A diretora, entretanto, ainda não sabe dizer qual seria a motivação disso. Por isso, segundo ela, o próximo passo é promover debates com toda a comunidade escolar acerca do assunto.

— Vamos avaliar se o nível de dificuldade da prova aumentou ou se houve alteração na forma como o conteúdo programático vem sendo cumprido. Também precisamos observar a comparação de nossos resultados com os de outras escolas.

Análise

Para a diretora-executiva da ONG Todos pela Educação, Priscila Cruz, cidades como Rio e São Paulo têm a obrigação de ter um número maior de escolas entre aquelas que tiveram melhor desempenho, pelo fato de serem regiões ricas.

— Esses municípios são a locomotiva econômica do país. Então, possuem perfeitas condições de oferecer um ensino de qualidade.

Mas, sobre a presença de apenas um colégio do Rio entre os dez melhores, ela pontuou que essa oscilação é comum, já que a diferença de pontuação entre as unidades com as notas mais altas é pequena. Sendo assim, qualquer variação, por menor que seja, acaba impactando no ranking.

Numa visão geral sobre os resultados, Priscila pontuou que, como vem ocorrendo ao longo dos últimos anos, permanecem na frente instituições que atendem a uma população de nível econômico superior ou que praticam alguma forma de seleção dos alunos que estudam na instituição.

Outro aspecto que fica evidenciado, segundo ela, é o abismo entre as últimas e primeiras colocadas. Se a escola com o melhor desempenho teve a nota média de 737,15, o Colégio Estadual Aquiles Lisboa, de São Domingos do Azeitão (MA), que ficou com a última posição, obteve média de 383,71.

— Existe um preceito de que qualidade só existe com equidade. E como notamos, as escolas com os piores resultados são justamente as que atendem às populações mais pobres. É preciso perceber que o Brasil só deixará de ser um país com altos índices de desigualdade econômica, quando existir investimentos justos em educação, tornado-a equivalente para todos.

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