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22 de mar. de 2016

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Dia Mundial da Água - 22 de Maro de 2016

Bom dia!
Terça-feira, 22 de março de 2016.
Dia Mundial da Água

O tema do Dia Mundial da Água 2016 é “Água e Empregos”.

Esta data foi criada com o objetivo de alertar a população internacional sobre a importância da preservação da água para a sobrevivência de todos os ecossistemas do planeta.
Para isso, todos os anos o Dia Mundial da Água aborda um tema específico sobre este mineral de extrema e absoluta importância para a existência da vida.

A conscientização sobre a urgência da economia deste recurso natural e como utilizado com cuidado é uma das principais metas do Dia da Água.

A água limpa e potável é um direito humano garantido por lei desde 2010, de acordo com a Organização das Nações Unidas – ONU.

Mesmo o planeta Terra sendo constituído aproximadamente 70% de água, apenas 0,7% de toda a água do mundo é potável, ou seja, adequada para o consumo humano.
Origem do Dia Mundial da Água

O Dia Mundial da Água foi instituído pela Organização das Nações Unidas - ONU, através da resolução A/RES/47/193 de 21 de fevereiro de 1993, determinando que o dia 22 de março seria a data oficial para comemorar e realizar atividades de reflexão sobre o significado da água para a vida na Terra.

Neste mesmo dia, a ONU lançou a Declaração Universal dos Direitos da Água, que apresenta entre as principais normas:

1. A água faz parte do patrimônio do planeta;
2. A água é a seiva do nosso planeta;
3. Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados;
4. O equilíbrio e o futuro de nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos;
5. A água não é somente herança de nossos predecessores; ela é, sobretudo, um empréstimo aos nossos sucessores;
6. A água não é uma doação gratuita da natureza; ela tem um valor econômico: precisa-se saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo;
7. A água não deve ser desperdiçada nem poluída, nem envenenada;
8. A utilização da água implica respeito à lei;
9. A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social;
10. O planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra.
Atividades para o Dia Mundial da Água
Alunos, pais e professores podem aproveitar o Dia da Água para promover diversas atividades que auxiliem a conscientizar a população em geral sobre a importância da preservação da água, por exemplo:

• Fazer uma peça de teatro sobre como seria a vida sem água;
• Fazer desenhos sobre como as pessoas deveriam preservar melhor a água;
• Fazer um vídeo mostrando alguns cuidados básicos que toda pessoa pode ter para ajudar a preservar a água;
• Fazer um debate sobre as consequências da falta de água potável no mundo;

12 de jan. de 2016

Os jovens e a Educação

Uma das principais insatisfações dos jovens que estão no Ensino médio está ligada ao fato de eles não verem relação entre o que têm de aprender na Escola e suas reflexões sobre a vida e o futuro. Essa clara ausência de conexão entre a realidade e as expectativas de futuro desses Alunos e o modelo e o currículo do Ensino médio tem origem no próprio modelo dessa etapa, que se tornou mera extensão do Ensino fundamental – como se essa faixa etária não tivesse especificidades ou os jovens fossem ainda crianças com baixa autonomia, sem voz e sem um projeto de vida. As manifestações dos estudantes de São Paulo durante a tentativa do governo estadual de implementar uma reestruturação da rede de Ensino que implicava fechamento de Escolas demonstraram a vontade de protagonizar sua história, participando mais efetivamente da construção de políticas que impactem diretamente seu dia a dia e sua aprendizagem. E isso é uma enorme oportunidade para melhorar profundamente o desenho e, consequentemente, a qualidade da Educação.

Se a Escola de Ensino médio não tem conseguido os resultados esperados em aprendizagem (apenas 9% dos Alunos que concluem essa etapa têm proficiência adequada em matemática) e tem graves problemas de atratividade (a taxa de abandono no 1.º ano, na rede pública, é de 10,6%), repensá-la é um desafio enorme e não pode ser vencido sem a participação concreta dos próprios estudantes.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o número de estudantes de Ensino médio nas redes estaduais passou de 537 mil em 1971 para 7 milhões em 2014. O acesso a essa etapa da Educação se ampliou de forma extraordinária, mas a Escola continua distante dos jovens, na medida em que o mundo tem mudado e ela, não. Já estamos na segunda década do século 21 e continuamos diante de um abismo.

Na vida, os conhecimentos dialogam entre si, mas na Escola, não; e os jovens são os primeiros a reconhecer essa situação. Os estudantes da periferia das cidades de São Paulo e do Recife ouvidos pela pesquisa “O que pensam os jovens de baixa renda sobre a Escola”, realizada pela Fundação Victor Civita e pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), relataram querer mais atividades práticas, que estejam mais relacionadas com a sua realidade e com seus projetos de vida, e que os Professores apresentem muito mais exemplos do cotidiano para contextualizar e melhorar o aprendizado.

Durante a ocupação das Escolas em São Paulo, por exemplo, os jovens promoveram as mais diversas oficinas e passaram a demandar que essas atividades também sejam reconhecidas, dentro e fora dos muros da Escola, como formas de aprendizagem, deixando de ser um esforço isolado e eventual de um ou outro Educador. Eles parecem não se satisfazer com os discursos de privação de direitos e estão buscando pôr em prática seus sonhos de realização.

A Constituição federal aponta claramente a tarefa da Educação: “pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Ora, nada mais distante do que temos hoje nas Escolas, notadamente nas de Ensino médio. Seria possível discorrer longamente sobre a falta de propostas e de adequada formação dos Professores para garantir aos Alunos pleno desenvolvimento e preparo para a cidadania. Focarei aqui a dimensão que é consequência das duas primeiras, mas igualmente importante: a qualificação para o trabalho.

Se as carreiras antes eram estáveis ao longo da vida profissional de um indivíduo, caminhando por trilhas hierárquicas bem definidas, estreitas e afuniladas, hoje o trajeto poderia ser comparado com o da água pelo curso de um rio, mudando conforme a direção das margens, ajustando-se por entre as pedras, dividindo-se quando a foz toma a forma de delta. As carreiras no século 21 são – e serão cada vez mais – dinâmicas, diversificadas, nascidas da inovação. As trajetórias são menos lineares, imprevisíveis, e não se esgotam dentro de uma única área de conhecimento.

Por isso é preciso realizar mudanças estruturais no sistema educacional, mais especialmente no Ensino médio e no profissionalizante.

Um passo importante é diversificar a etapa, de modo que ela seja constituída de uma parte comum a todos e de outra que atenda à escolha dos Alunos. A parte comum deverá, obviamente, estar de acordo com a Base Nacional Comum (BNC) em construção no Ministério da Educação, atualmente aberta à consulta pública. Para isso a BNC não pode ocupar todo o tempo dos estudantes e não deve ceder à tentação e à pressão de abrigar tudo o que os mais diversos interessados gostariam que ela contivesse. Ela deve garantir aos jovens o aprendizado para o pleno exercício da vida como cidadãos e dar-lhes condições de prosseguir aprendendo na sua área de interesse.

A Educação profissional, nessa configuração, deveria ser uma das opções de diversificação do Ensino médio, e não uma modalidade sobreposta, como é hoje, em que o conhecimento técnico é somado ao currículo excessivamente acadêmico. O seu desenho deve ser flexível o suficiente para possibilitar ao mesmo tempo a entrada qualificada dos jovens no mercado de trabalho e o seu ingresso no Ensino superior, permitindo, por exemplo, que eles cursem a etapa já com ênfase no tema do curso superior que almejam.

Os caminhos para essas importantes e necessárias mudanças, como os propostos aqui, existem e já vêm sendo debatidos no País. No entanto, precisam avançar mais de acordo com a velocidade imposta pelas mudanças que estão ocorrendo na sociedade, e agora mais ainda, diante dos bons ventos que nos trazem os Alunos de São Paulo. Não há tempo a perder.

6 de ago. de 2015

A Ferida aberta da Bomba Atômica

Passaram-se sete décadas, mas o tempo ainda não foi suficiente para curar as feridas deixadas pela primeira bomba atômica, detonada em Hiroshima, no Japão, às 8h15 do dia 6 de agosto, uma segunda-feira quente de verão.

"Para garantir que tal sofrimento nuclear nunca ocorra novamente, é preciso apelar não só para o desarmamento, mas para a abolição das armas nucleares", não cansa de repetir Nobuo Miyake, 86, sobrevivente do bombardeio norte-americano.
Naquele dia, Miyake, então com 16 anos, andava de bonde.
Estava a menos de dois quilômetros de distância do hipocentro –o ponto em terra exatamente abaixo da detonação– quando o ataque ocorreu, e só sobreviveu porque decidiu instantaneamente saltar do veículo.
Desde 1980, ele percorre o mundo contando aquilo que define como "inferno na Terra". "Se uma guerra nuclear acontecesse em qualquer lugar hoje, não haveria inimigo ou aliado; o mundo inteiro iria sofrer, e isso levaria à extinção da humanidade", diz o japonês.
Passaram três meses no navio da ONG Peace Boat, que desde 2008 organiza o projeto "Viagem por um mundo sem arma nuclear".
"Já foi levado mais de 150 sobreviventes de Hiroshima e de Nagasaki [onde explodiu a segunda bomba atômica americana, três dias depois] a várias partes do mundo para darem testemunhos e pedirem a abolição nuclear",
"A idade média dos sobreviventes chegou a 80 anos, então, o tempo que resta para eles enviarem essas mensagens urgentes em primeira mão é muito curto".
Por isso, as histórias de sobreviventes já são consideradas relíquias por entidades e autoridades do Japão, que tentam manter esse conhecimento de quem vivenciou a guerra incólume ao tempo.
ESTIGMA
Do pouco mais de um milhão de japoneses classificados como "hibakusha", ou "pessoa afetada pela explosão", cerca de 183 mil estão vivos.
A grande maioria tem mais de 80 anos e luta contra doenças e lesões causadas pelo efeito da bomba de sete décadas atrás.
Por anos os "hibakusha" foram discriminados pelos próprios japoneses, que temiam ser contaminados. Por isso, muitos enterraram suas memórias e se calaram por décadas, escondendo os detalhes do pós-ataque até mesmo da família.
Uma pesquisa do jornal "Asahi" mostrou que 76% dos entrevistados afirmam que a história contada diretamente por estes sobreviventes pode ajudar as gerações mais novas a conter o armamento nuclear.
Desde 2010, a publicação mantém um site com depoimentos.
Em 2011, a empresa jornalística colocou no ar a versão em inglês, com o objetivo de divulgar para o mundo todo as tristes histórias (www.asahi.com/hibakusha/english/).
"Ao compartilhar essas mensagens, é esperado que elas contribuam para a compreensão da realidade que os sobreviventes da bomba atômica ainda enfrentam e para os apelos pela abolição de todas as armas nucleares", diz o site.
CONSTITUIÇÃO PACIFISTA
O apelo, entretanto, contradiz as recentes manobras do governo do premiê Shinzo Abe, que conseguiu a aprovação pela câmara baixa do Parlamento de uma mudança na Constituição pacifista do Japão.
Desde o fim da Segunda Guerra (1939-45), o país estava proibido de participar de ações militares. Mas o premiê defende uma posição mais ousada na área da segurança frente ao crescente poderio militar chinês e às ameaças norte-coreanas.
Para Satoshi Hirose, pesquisador e vice-diretor do Centro de Pesquisas para a Abolição das Armas Nucleares (Recna) da Universidade de Nagasaki, muita gente vê o risco atômico como algo do passado ou restrito a Hiroshima e Nagasaki.
"Mas a ameaça de armas nucleares é um perigo claro e presente para todos os seres humanos".
Por isso, o centro se dedica a promover o desarmamento nuclear e a estudar maneiras de acabar com todas as armas nucleares.
O processo em que o Brasil e a Argentina transformaram sua rivalidade nuclear em cooperação mútua é uma forma de colaboração. Acredita-se que pode ser um dos modelos para o Japão para melhorar sua relação com a China e a Coreia do Norte".
Segundo a instituição Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares (ABACC), criada em 1991, há hoje 15.700 armas nucleares no mundo. A maioria pertence à Rússia (7.500) ou aos EUA (7.200), seguidos por França (300) e China (250).

15 de jul. de 2015

Projeto de Trens Turísticos na Região Sulfluminense

Rio – O turismo ferroviário está perto de andar nos trilhos no Rio. O apito de partida para a exploração de ramais desativados da antiga Rede Ferroviária Federal (RFFSA) para este fim já ecoa em Miguel Pereira, no Sul Fluminense. O município ganhou da Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) Amigos do Trem uma luxuosa e reformada Litorina (vagão ferroviário dotado de motor próprio), fabricada nos Estados Unidos há 57 anos. Deve estar pronta para entrar em operação em outubro, num trecho inicial de 4,5 quilômetros. A cidade será a primeira do interior a ter novamente composição para turistas. Hoje, só o Trem do Corcovado é usado para passeios no estado.
O secretário estadual de Transportes, Carlos Osorio, revelou que o governador Luiz Fernando Pezão autorizou estudos para a reativação de mais dois circuitos ferroviários destinados a viagens de lazer. O primeiro liga Miguel Pereira, Vassouras, Paty do Alferes e Paraíba do Sul, no Centro-Sul Fluminense. O outro fica entre Lídice (distrito de Rio Claro) e Angra dos Reis, no Sul do estado. Os dois percursos mantinham locomotivas turísticas no passado.

“Estamos entrando em acordo com a União, para utilizar parte de uma multa, estimada em R$ 900 milhões, que será aplicada à concessionária Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), uma vez que a empresa desativou e devolverá determinados trechos ferroviários que ela não utilizou e acabaram se deteriorando. O principal é que os trilhos ainda existem em mais de 80% desses trechos”, afirma Osório.

Em Miguel Pereira, a prefeitura fez licitação para obras de recuperação e readaptação da bitola de um metro para 1,60 metro, em um trecho que estava abandonado. Ele pertence à primeira etapa do projeto, ligando o Centro ao distrito de Governador Portela. Do total de R$ 2,5 milhões orçados para reativação da linha, o governo municipal arcará com R$ 750 mil. O restante será bancado pela União e a Oscip Amigos do Trem.

“A médio prazo, vamos estender a recuperação de trilhos até o distrito de Vera Cruz. Mais 9 km, com direito a vista paradisíaca de nossas montanhas”, propagandeia o secretário municipal de Turismo, Marco Aurélio Casa Nova. Ele sonha com postos de trabalho para boa parte dos 26 mil moradores, que tem o comércio como principal fonte de renda. A Litorina poderá acelerar a abertura de lojas de artesanato e restaurantes e dobrar os 2 mil leitos de hotéis. “Nossas expectativas são as melhores possíveis. Dobrando a quantidade de leitos, dobra-se a de funcionários”, diz Armando Ribeiro Júnior, dono de pousada.

Antigo Trem de Prata também está sendo recuperado por ONG

Depois de uma viagem de 300 quilômetros por rodovias numa carreta, em 27 dias, entre Barbacena (MG) e Miguel Pereira, envolvendo 500 técnicos e guindastes, a Litorina foi posta para visitação na estação ferroviária da cidade do Sul do estado, onde há um museu dedicado ao cantor Francisco Alves. O início da circulação está previsto para outubro, mês de aniversário miguelense.

Presidente da Oscip Amigos do Trem, Paulo Henrique Nascimento está eufórico. “Vamos provar que assim como em algumas cidades paulistas, do Paraná e Minas Gerais, trens turísticos são autossustentáveis. No Sul Fluminense, as belezas ecológicas, o casario herdado do ciclo do café e a riqueza da cultura regional são fontes de atrações naturais de turistas”, justifica.

Nascimento revela que outra Litorina passa por reforma, em parceria com a Inventariança da RFFSA e Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), e poderá ser acoplada à de Miguel Pereira. “Outra novidade é que oito vagões do antigo Santa Cruz, o Trem de Prata, que ligou São Paulo ao Rio até 1991, estão sendo restaurados e poderão ser usados no circuito Miguel Pereira-Paty-Vassouras-Paraíba do Sul”, adianta.

21 de mai. de 2015

A Cidade Olímpica tem horror a segurança. Porta arrombada, coloca-se o cadeado



A Cidade Olímpica tem horror a segurança. Porta arrombada, coloca-se o cadeado

Rio - O Rio é bonito só no plano geral. Mas no close a coisa não é bem assim. Por lá, na Cidade Olímpica, tudo é perigoso, usando frase de Caetano Veloso, e, ao mesmo tempo, tudo é divino, maravilhoso. Não se pode nem dar uma volta de bicicleta às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, nem no Aterro. Assim como não se pode usar relógio ou cordão de ouro nas ruas do Centro. Igualmente, não se deve falar ao celular caminhando pelas ruas de Copacabana ou da Tijuca. Do Méier ou de Jacarepaguá. Mas não caia na cilada de achar que é uma questão de classe social ou de ter ou não ter dinheiro. 

Nos becos e vielas das favelas, ou comunidades, é igualmente perigoso, e não se pode “andar tranquilamente na favela onde eu nasci”, porque pode vir uma bala perdida na sua direção e te encontrar. A Cidade Olímpica tem horror a segurança. É um enxugar gelo que não tem fim. Porta arrombada, coloca-se cadeado. Vai durar uma semana, se tanto, o novo esquema de segurança na Lagoa, que foi mencionado na quarta, e, com certeza, será citado pelas autoridades de segurança ao comentarem o assassinato do médico na Lagoa na noite de terça-feira. Foi assim quando esfaquearam lá mesmo um adolescente de 14 anos, para mencionar outro caso recente. É sempre assim. Na semana seguinte, como num passe de mágica, volta tudo ao normal. 

Normal? Então é normal não poder circular de bicicleta na cidade que gasta milhões para fazer dezenas de ciclovias que, por falta de segurança, ninguém vai poder usar? Ou vai ter que usar bicicleta velha, por recomendação da associação dos ciclistas? É normal prender e soltar, quase que compulsivamente, maiores e menores infratores? É claro que vai aparecer um estudioso social (que me perdoem os sérios profissionais da área que não têm compromisso político) que vai falar das diferenças sociais, da falta de oportunidades etc, etc. É óbvio que as medidas sociais são urgentes e que é preciso comprometimento dos governos com a questão da formação, educação e da criação de empregos para todos, mas é preciso também proteger a população que vive e insiste em usar a cidade onde nasceu. 

O medo é parceiro do trauma, do preconceito e do adoecimento da população. O Rio só poderá ser efetivamente uma Cidade Olímpica quando deixar de se parecer com a dona de casa relapsa, que deixa sua casa na maior bagunça, o tempo todo, mas quando vem visita arruma tudo e guarda a bagunça debaixo do tapete, para mostrar pro visitante que é organizada. Chega desta postura falsa, de que nada está acontecendo, de que vivemos numa ilha de esportes e lazer. Os fogos de artifício e as rajadas de metralhadoras estão aí. E lembre-se: andar de bicicleta pode ser fatal. Usar relógio e celular também. Como assim normal?