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12 de jan. de 2016

Os jovens e a Educação

Uma das principais insatisfações dos jovens que estão no Ensino médio está ligada ao fato de eles não verem relação entre o que têm de aprender na Escola e suas reflexões sobre a vida e o futuro. Essa clara ausência de conexão entre a realidade e as expectativas de futuro desses Alunos e o modelo e o currículo do Ensino médio tem origem no próprio modelo dessa etapa, que se tornou mera extensão do Ensino fundamental – como se essa faixa etária não tivesse especificidades ou os jovens fossem ainda crianças com baixa autonomia, sem voz e sem um projeto de vida. As manifestações dos estudantes de São Paulo durante a tentativa do governo estadual de implementar uma reestruturação da rede de Ensino que implicava fechamento de Escolas demonstraram a vontade de protagonizar sua história, participando mais efetivamente da construção de políticas que impactem diretamente seu dia a dia e sua aprendizagem. E isso é uma enorme oportunidade para melhorar profundamente o desenho e, consequentemente, a qualidade da Educação.

Se a Escola de Ensino médio não tem conseguido os resultados esperados em aprendizagem (apenas 9% dos Alunos que concluem essa etapa têm proficiência adequada em matemática) e tem graves problemas de atratividade (a taxa de abandono no 1.º ano, na rede pública, é de 10,6%), repensá-la é um desafio enorme e não pode ser vencido sem a participação concreta dos próprios estudantes.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o número de estudantes de Ensino médio nas redes estaduais passou de 537 mil em 1971 para 7 milhões em 2014. O acesso a essa etapa da Educação se ampliou de forma extraordinária, mas a Escola continua distante dos jovens, na medida em que o mundo tem mudado e ela, não. Já estamos na segunda década do século 21 e continuamos diante de um abismo.

Na vida, os conhecimentos dialogam entre si, mas na Escola, não; e os jovens são os primeiros a reconhecer essa situação. Os estudantes da periferia das cidades de São Paulo e do Recife ouvidos pela pesquisa “O que pensam os jovens de baixa renda sobre a Escola”, realizada pela Fundação Victor Civita e pelo Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), relataram querer mais atividades práticas, que estejam mais relacionadas com a sua realidade e com seus projetos de vida, e que os Professores apresentem muito mais exemplos do cotidiano para contextualizar e melhorar o aprendizado.

Durante a ocupação das Escolas em São Paulo, por exemplo, os jovens promoveram as mais diversas oficinas e passaram a demandar que essas atividades também sejam reconhecidas, dentro e fora dos muros da Escola, como formas de aprendizagem, deixando de ser um esforço isolado e eventual de um ou outro Educador. Eles parecem não se satisfazer com os discursos de privação de direitos e estão buscando pôr em prática seus sonhos de realização.

A Constituição federal aponta claramente a tarefa da Educação: “pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”. Ora, nada mais distante do que temos hoje nas Escolas, notadamente nas de Ensino médio. Seria possível discorrer longamente sobre a falta de propostas e de adequada formação dos Professores para garantir aos Alunos pleno desenvolvimento e preparo para a cidadania. Focarei aqui a dimensão que é consequência das duas primeiras, mas igualmente importante: a qualificação para o trabalho.

Se as carreiras antes eram estáveis ao longo da vida profissional de um indivíduo, caminhando por trilhas hierárquicas bem definidas, estreitas e afuniladas, hoje o trajeto poderia ser comparado com o da água pelo curso de um rio, mudando conforme a direção das margens, ajustando-se por entre as pedras, dividindo-se quando a foz toma a forma de delta. As carreiras no século 21 são – e serão cada vez mais – dinâmicas, diversificadas, nascidas da inovação. As trajetórias são menos lineares, imprevisíveis, e não se esgotam dentro de uma única área de conhecimento.

Por isso é preciso realizar mudanças estruturais no sistema educacional, mais especialmente no Ensino médio e no profissionalizante.

Um passo importante é diversificar a etapa, de modo que ela seja constituída de uma parte comum a todos e de outra que atenda à escolha dos Alunos. A parte comum deverá, obviamente, estar de acordo com a Base Nacional Comum (BNC) em construção no Ministério da Educação, atualmente aberta à consulta pública. Para isso a BNC não pode ocupar todo o tempo dos estudantes e não deve ceder à tentação e à pressão de abrigar tudo o que os mais diversos interessados gostariam que ela contivesse. Ela deve garantir aos jovens o aprendizado para o pleno exercício da vida como cidadãos e dar-lhes condições de prosseguir aprendendo na sua área de interesse.

A Educação profissional, nessa configuração, deveria ser uma das opções de diversificação do Ensino médio, e não uma modalidade sobreposta, como é hoje, em que o conhecimento técnico é somado ao currículo excessivamente acadêmico. O seu desenho deve ser flexível o suficiente para possibilitar ao mesmo tempo a entrada qualificada dos jovens no mercado de trabalho e o seu ingresso no Ensino superior, permitindo, por exemplo, que eles cursem a etapa já com ênfase no tema do curso superior que almejam.

Os caminhos para essas importantes e necessárias mudanças, como os propostos aqui, existem e já vêm sendo debatidos no País. No entanto, precisam avançar mais de acordo com a velocidade imposta pelas mudanças que estão ocorrendo na sociedade, e agora mais ainda, diante dos bons ventos que nos trazem os Alunos de São Paulo. Não há tempo a perder.

6 de ago. de 2015

A Ferida aberta da Bomba Atômica

Passaram-se sete décadas, mas o tempo ainda não foi suficiente para curar as feridas deixadas pela primeira bomba atômica, detonada em Hiroshima, no Japão, às 8h15 do dia 6 de agosto, uma segunda-feira quente de verão.

"Para garantir que tal sofrimento nuclear nunca ocorra novamente, é preciso apelar não só para o desarmamento, mas para a abolição das armas nucleares", não cansa de repetir Nobuo Miyake, 86, sobrevivente do bombardeio norte-americano.
Naquele dia, Miyake, então com 16 anos, andava de bonde.
Estava a menos de dois quilômetros de distância do hipocentro –o ponto em terra exatamente abaixo da detonação– quando o ataque ocorreu, e só sobreviveu porque decidiu instantaneamente saltar do veículo.
Desde 1980, ele percorre o mundo contando aquilo que define como "inferno na Terra". "Se uma guerra nuclear acontecesse em qualquer lugar hoje, não haveria inimigo ou aliado; o mundo inteiro iria sofrer, e isso levaria à extinção da humanidade", diz o japonês.
Passaram três meses no navio da ONG Peace Boat, que desde 2008 organiza o projeto "Viagem por um mundo sem arma nuclear".
"Já foi levado mais de 150 sobreviventes de Hiroshima e de Nagasaki [onde explodiu a segunda bomba atômica americana, três dias depois] a várias partes do mundo para darem testemunhos e pedirem a abolição nuclear",
"A idade média dos sobreviventes chegou a 80 anos, então, o tempo que resta para eles enviarem essas mensagens urgentes em primeira mão é muito curto".
Por isso, as histórias de sobreviventes já são consideradas relíquias por entidades e autoridades do Japão, que tentam manter esse conhecimento de quem vivenciou a guerra incólume ao tempo.
ESTIGMA
Do pouco mais de um milhão de japoneses classificados como "hibakusha", ou "pessoa afetada pela explosão", cerca de 183 mil estão vivos.
A grande maioria tem mais de 80 anos e luta contra doenças e lesões causadas pelo efeito da bomba de sete décadas atrás.
Por anos os "hibakusha" foram discriminados pelos próprios japoneses, que temiam ser contaminados. Por isso, muitos enterraram suas memórias e se calaram por décadas, escondendo os detalhes do pós-ataque até mesmo da família.
Uma pesquisa do jornal "Asahi" mostrou que 76% dos entrevistados afirmam que a história contada diretamente por estes sobreviventes pode ajudar as gerações mais novas a conter o armamento nuclear.
Desde 2010, a publicação mantém um site com depoimentos.
Em 2011, a empresa jornalística colocou no ar a versão em inglês, com o objetivo de divulgar para o mundo todo as tristes histórias (www.asahi.com/hibakusha/english/).
"Ao compartilhar essas mensagens, é esperado que elas contribuam para a compreensão da realidade que os sobreviventes da bomba atômica ainda enfrentam e para os apelos pela abolição de todas as armas nucleares", diz o site.
CONSTITUIÇÃO PACIFISTA
O apelo, entretanto, contradiz as recentes manobras do governo do premiê Shinzo Abe, que conseguiu a aprovação pela câmara baixa do Parlamento de uma mudança na Constituição pacifista do Japão.
Desde o fim da Segunda Guerra (1939-45), o país estava proibido de participar de ações militares. Mas o premiê defende uma posição mais ousada na área da segurança frente ao crescente poderio militar chinês e às ameaças norte-coreanas.
Para Satoshi Hirose, pesquisador e vice-diretor do Centro de Pesquisas para a Abolição das Armas Nucleares (Recna) da Universidade de Nagasaki, muita gente vê o risco atômico como algo do passado ou restrito a Hiroshima e Nagasaki.
"Mas a ameaça de armas nucleares é um perigo claro e presente para todos os seres humanos".
Por isso, o centro se dedica a promover o desarmamento nuclear e a estudar maneiras de acabar com todas as armas nucleares.
O processo em que o Brasil e a Argentina transformaram sua rivalidade nuclear em cooperação mútua é uma forma de colaboração. Acredita-se que pode ser um dos modelos para o Japão para melhorar sua relação com a China e a Coreia do Norte".
Segundo a instituição Agência Brasileiro-Argentina de Contabilidade e Controle de Materiais Nucleares (ABACC), criada em 1991, há hoje 15.700 armas nucleares no mundo. A maioria pertence à Rússia (7.500) ou aos EUA (7.200), seguidos por França (300) e China (250).

15 de jul. de 2015

Projeto de Trens Turísticos na Região Sulfluminense

Rio – O turismo ferroviário está perto de andar nos trilhos no Rio. O apito de partida para a exploração de ramais desativados da antiga Rede Ferroviária Federal (RFFSA) para este fim já ecoa em Miguel Pereira, no Sul Fluminense. O município ganhou da Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) Amigos do Trem uma luxuosa e reformada Litorina (vagão ferroviário dotado de motor próprio), fabricada nos Estados Unidos há 57 anos. Deve estar pronta para entrar em operação em outubro, num trecho inicial de 4,5 quilômetros. A cidade será a primeira do interior a ter novamente composição para turistas. Hoje, só o Trem do Corcovado é usado para passeios no estado.
O secretário estadual de Transportes, Carlos Osorio, revelou que o governador Luiz Fernando Pezão autorizou estudos para a reativação de mais dois circuitos ferroviários destinados a viagens de lazer. O primeiro liga Miguel Pereira, Vassouras, Paty do Alferes e Paraíba do Sul, no Centro-Sul Fluminense. O outro fica entre Lídice (distrito de Rio Claro) e Angra dos Reis, no Sul do estado. Os dois percursos mantinham locomotivas turísticas no passado.

“Estamos entrando em acordo com a União, para utilizar parte de uma multa, estimada em R$ 900 milhões, que será aplicada à concessionária Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), uma vez que a empresa desativou e devolverá determinados trechos ferroviários que ela não utilizou e acabaram se deteriorando. O principal é que os trilhos ainda existem em mais de 80% desses trechos”, afirma Osório.

Em Miguel Pereira, a prefeitura fez licitação para obras de recuperação e readaptação da bitola de um metro para 1,60 metro, em um trecho que estava abandonado. Ele pertence à primeira etapa do projeto, ligando o Centro ao distrito de Governador Portela. Do total de R$ 2,5 milhões orçados para reativação da linha, o governo municipal arcará com R$ 750 mil. O restante será bancado pela União e a Oscip Amigos do Trem.

“A médio prazo, vamos estender a recuperação de trilhos até o distrito de Vera Cruz. Mais 9 km, com direito a vista paradisíaca de nossas montanhas”, propagandeia o secretário municipal de Turismo, Marco Aurélio Casa Nova. Ele sonha com postos de trabalho para boa parte dos 26 mil moradores, que tem o comércio como principal fonte de renda. A Litorina poderá acelerar a abertura de lojas de artesanato e restaurantes e dobrar os 2 mil leitos de hotéis. “Nossas expectativas são as melhores possíveis. Dobrando a quantidade de leitos, dobra-se a de funcionários”, diz Armando Ribeiro Júnior, dono de pousada.

Antigo Trem de Prata também está sendo recuperado por ONG

Depois de uma viagem de 300 quilômetros por rodovias numa carreta, em 27 dias, entre Barbacena (MG) e Miguel Pereira, envolvendo 500 técnicos e guindastes, a Litorina foi posta para visitação na estação ferroviária da cidade do Sul do estado, onde há um museu dedicado ao cantor Francisco Alves. O início da circulação está previsto para outubro, mês de aniversário miguelense.

Presidente da Oscip Amigos do Trem, Paulo Henrique Nascimento está eufórico. “Vamos provar que assim como em algumas cidades paulistas, do Paraná e Minas Gerais, trens turísticos são autossustentáveis. No Sul Fluminense, as belezas ecológicas, o casario herdado do ciclo do café e a riqueza da cultura regional são fontes de atrações naturais de turistas”, justifica.

Nascimento revela que outra Litorina passa por reforma, em parceria com a Inventariança da RFFSA e Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), e poderá ser acoplada à de Miguel Pereira. “Outra novidade é que oito vagões do antigo Santa Cruz, o Trem de Prata, que ligou São Paulo ao Rio até 1991, estão sendo restaurados e poderão ser usados no circuito Miguel Pereira-Paty-Vassouras-Paraíba do Sul”, adianta.

21 de mai. de 2015

A Cidade Olímpica tem horror a segurança. Porta arrombada, coloca-se o cadeado



A Cidade Olímpica tem horror a segurança. Porta arrombada, coloca-se o cadeado

Rio - O Rio é bonito só no plano geral. Mas no close a coisa não é bem assim. Por lá, na Cidade Olímpica, tudo é perigoso, usando frase de Caetano Veloso, e, ao mesmo tempo, tudo é divino, maravilhoso. Não se pode nem dar uma volta de bicicleta às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, nem no Aterro. Assim como não se pode usar relógio ou cordão de ouro nas ruas do Centro. Igualmente, não se deve falar ao celular caminhando pelas ruas de Copacabana ou da Tijuca. Do Méier ou de Jacarepaguá. Mas não caia na cilada de achar que é uma questão de classe social ou de ter ou não ter dinheiro. 

Nos becos e vielas das favelas, ou comunidades, é igualmente perigoso, e não se pode “andar tranquilamente na favela onde eu nasci”, porque pode vir uma bala perdida na sua direção e te encontrar. A Cidade Olímpica tem horror a segurança. É um enxugar gelo que não tem fim. Porta arrombada, coloca-se cadeado. Vai durar uma semana, se tanto, o novo esquema de segurança na Lagoa, que foi mencionado na quarta, e, com certeza, será citado pelas autoridades de segurança ao comentarem o assassinato do médico na Lagoa na noite de terça-feira. Foi assim quando esfaquearam lá mesmo um adolescente de 14 anos, para mencionar outro caso recente. É sempre assim. Na semana seguinte, como num passe de mágica, volta tudo ao normal. 

Normal? Então é normal não poder circular de bicicleta na cidade que gasta milhões para fazer dezenas de ciclovias que, por falta de segurança, ninguém vai poder usar? Ou vai ter que usar bicicleta velha, por recomendação da associação dos ciclistas? É normal prender e soltar, quase que compulsivamente, maiores e menores infratores? É claro que vai aparecer um estudioso social (que me perdoem os sérios profissionais da área que não têm compromisso político) que vai falar das diferenças sociais, da falta de oportunidades etc, etc. É óbvio que as medidas sociais são urgentes e que é preciso comprometimento dos governos com a questão da formação, educação e da criação de empregos para todos, mas é preciso também proteger a população que vive e insiste em usar a cidade onde nasceu. 

O medo é parceiro do trauma, do preconceito e do adoecimento da população. O Rio só poderá ser efetivamente uma Cidade Olímpica quando deixar de se parecer com a dona de casa relapsa, que deixa sua casa na maior bagunça, o tempo todo, mas quando vem visita arruma tudo e guarda a bagunça debaixo do tapete, para mostrar pro visitante que é organizada. Chega desta postura falsa, de que nada está acontecendo, de que vivemos numa ilha de esportes e lazer. Os fogos de artifício e as rajadas de metralhadoras estão aí. E lembre-se: andar de bicicleta pode ser fatal. Usar relógio e celular também. Como assim normal?

1 de mai. de 2015

Richa, excesso sem precedente!


As imagens de Curitiba na quarta-feira (29) e as quase duas centenas de feridos não deixam dúvida: houve violência policial além de qualquer proporção. O governador Beto Richa (PSDB), mesmo assim, continua alheio aos excessos de sua Polícia Militar.
Sim, houve agentes golpeados. Sim, alguns manifestantes tentaram romper à força o cordão da PM em torno da Assembleia Legislativa. Erraram, mas erra mais o governador tucano quando endossa o revide truculento como "uma reação natural da proteção da vida".
É uma inversão completa dos fatos. Acertar balas de borracha nos professores atenta contra a integridade dos manifestantes muito mais do que protege o policial. O mesmo se pode dizer de lançar gás lacrimogêneo na vizinhança de uma creche e de atiçar cães ferozes contra cinegrafistas.
Dito isso, há que registrar ainda o fato de os professores protestarem contra o que consideram afronta a seus direitos decorrente da inépcia do próprio Richa. É para fechar o rombo aberto pelo governador reeleito nas contas do Paraná que a Assembleia vota mudança na previdência estadual.
Marcou a gestão do tucano o descalabro financeiro, bem o oposto da imagem de bons gestores que líderes do PSDB usam cultivar. Segundo dados preliminares da Secretaria da Fazenda do Paraná, o ano da reeleição terminou com deficit de R$ 4,6 bilhões (num Orçamento de cerca de R$ 40 bilhões) e R$ 1,2 bilhão de restos a pagar.
O desequilíbrio é tal que, em 2014, o Estado viu as receitas crescerem 12% e as despesas, 43%.
Surgiu então o projeto de transferir 33 mil servidores aposentados (são 77 mil) de um fundo deficitário para outro, ora superavitário. Com a alteração, o Estado poderia poupar até R$ 1,7 bilhão ao ano.
Era essa votação pelos deputados estaduais que os professores em greve pretendiam impedir, temendo o desequilíbrio financeiro do fundo e perdas futuras. Para garantir a deliberação parlamentar, a Justiça mandou a polícia cercar a Assembleia, que havia sido invadida por docentes em fevereiro.
Beto Richa recorreu às desculpas de praxe, ressaltando que a CUT insuflou os manifestantes. Incluiu no rol de provocadores "o pessoal do PT, alguns do PMDB, PSOL e PSTU" e sugeriu a infiltração de black blocs.
Agitadores não são uma raridade nesses protestos. A polícia deve estar preparada e bem orientada para lidar com eles. Não foi o que se viu em Curitiba.
Sobre as contas do Estado, Richa disse em fevereiro que não agira com imprudência, mas com coragem. Se agora se dispuser a enxergar o óbvio, terá de reconhecer que a PM não agiu só com imprudência, mas sobretudo com covardia.


24 de abr. de 2015

A tal felicidade



Se a questão é só dinheiro, porque é que tanta gente que nada tem vive tão alegre, se diverte, se a grana é tão curta, o tempo gasto na condução apertada é tão longo?

Depois de uma semana de muito trabalho, exausto, uma amiga revela seu sonho de consumo: queria não ter que trabalhar. Não ter que fazer nada. “Claro, sem me preocupar com dinheiro no fim do mês. Ter dinheiro sobrando para pagar todas as contas, poder dormir o quanto o corpo pedir, viver tranquila, colorindo o livro da moda, para esquecer o estresse, sem dor alguma, nem no corpo, nem na alma, apenas vivendo, se divertindo, sorrindo, vendo bons filmes, lendo bons livros e conversando com gente inteligente e igualmente feliz”.
Diante do desabafo dela, fico pensando que seria muito bom mesmo, passar um tempo nesta ilha da fantasia. Não sei também quanto tempo aguentaria, nem sei onde fica este lugar de preocupação zero e não corro este risco porque há muito trabalho a fazer, muitas contas a pagar e uma centena de outras preocupações que tornam o dia a dia uma torrente de paixão e, às vezes, um tormento. E, claro, desfilam na minha memória, todas as pessoas que conheço que vivem assim, entre um almoço e outro, uma ida ao shopping e outra, uma nova viagem e outra. E algumas boas compras na rotina, para não perder o hábito e gastar o tempo, sem outros compromissos a não ser a academia de ginástica. Será que é nesta vida aqui descrita que mora a felicidade total e absoluta? Será que é só uma questão de sorte? A pessoa nasce predestinada à vida facilitada e à felicidade? Será que a tal da felicidade é só uma questão de dinheiro?
Nascer numa família rica ou herdar uma fortuna? Ou será que é casar bem, com homem rico, provedor de tudo e para tudo? Mas se é assim, porque é que há tanta gente rica, bem casada no sentido do dinheiro farto, que trabalha loucamente, todo dia, a vida toda na busca da tal felicidade? Se é assim, porque é que tanta gente finge que é feliz, passa o dia fazendo fotos sorridentes para postar nas redes sociais, fingindo levar uma vida alegre e feliz e a gente sabe que na chamada vida real não é nada disto?
Se a questão é só dinheiro, porque é que tanta gente que nada tem vive tão alegre, se diverte, se a grana é tão curta, o tempo gasto na condução apertada é tão longo? Ou será que seremos felizes se criarmos uma capa ou uma armadura para nos proteger das histórias e notícias cada vez mais perversas do nosso cotidiano? Ou será que a resposta está na fé de cada um? No meio destes pensamentos me vem a frase de um conhecido rico, que leva a vida com uma grande dose de cinismo e costuma dizer que dinheiro é tudo “porque compra até amor verdadeiro”. Sem dúvida, o dinheiro facilita a vida e a torna menos penosa.
Mas não carrega junto a felicidade, a paz, a alegria, ou a saúde. A questão é buscar a tal da felicidade, com todos os seus adereços, quando ela some ou se faz de distraída. Não sei não, mas acho que, sem trabalho, a vida fica menos feliz. Sem fazer nada, a vida é um tédio.

16 de abr. de 2015

Químico suíço descobria o LSD há 72 anos

Químico suíço descobria o LSD há 72 anos

Apresentação Dilson Santa Fé


Há 72 anos, o químico suíço Albert Hofmann descobriu o LSD, uma das mais potentes substâncias alucinógenas conhecidas.

A descoberta aconteceu por acaso, ele aspirou por descuido uma pequena quantidade de pó no laboratório.

Na busca por um estimulante da circulação sanguínea, ele se deparou com o fungo do centeio muito temido na Idade Média. Os camponeses que comiam o pão contaminado com esse fungo tinham confusão mental.

Trocar antigos eletrodomésticos, lâmpadas, aparelhos de ar... tudo isso ajuda a abaixar as contas

Trocar antigos eletrodomésticos, lâmpadas, aparelhos de ar... tudo isso ajuda a abaixar as contas

A palavra de ordem, neste momento, é economizar. Mas vou logo avisando: não é tarefa fácil. Requer atenção, dedicação e muito trabalho. Estou falando da luta diária para baixar as contas da casa e, ao mesmo tempo, não perder qualidade de vida, nem acesso ao conforto. Nem ter um infarto ao abrir o envelope da conta de luz. Na verdade, nos últimos anos descobrimos o conforto e nossas contas ficaram muito mais caras do que gostaríamos e até mesmo do que podemos pagar sem sofrimento. Eu sei, falar é fácil, o difícil é realizar.

Na verdade, economizar significa mudar hábitos e manias, e esta é, com certeza, a dificuldade maior. Durante esta semana procurei entender com técnicos de energia e água, para descobrir o que fazer e para saber como e onde estamos errando mais e como reverter o susto que as contas mensais estão causando. A princípio, economizar é para quem tem dinheiro disponível porque para diminuir custos é preciso gastar um bom dinheiro, trocando equipamentos domésticos de mais de dez anos de uso por outros novos mais econômicos, com selo Procel, com consumo de letra A, dados pelo Inmetro. Sabe aquelas lâmpadas eletrônicas que descobrimos no apagão dos anos 2000? Foram superadas.

Agora, o que tem melhor custo/benefício são as de Led, bem mais caras que as outras, mas muito mais econômicas. Algumas descobertas me surpreenderam e acho que podem ajudar você também: o monitor do computador gasta uma enormidade se ficar ligado sempre, portanto desligue ou configure-o para desligar automaticamente quando você deixar de usar. Sabe aquelas luzes vermelhinhas do microondas, do forno elétrico, da TV que você quase não usa? É o tal do stand by e também deve ser desligado. Não falei que dá trabalho? Sabe o ar modelo Split? Gasta menos que o de janela. Tem um tipo de Split que gasta menos ainda: o inverter. O problema é a instalação destes aparelhos. É mais cara que o aparelho. Eu não disse que é preciso gastar para economizar?

Em relação à água, o SAAE dá várias dicas, desde a captação das águas das chuvas até a instalação de pequenos redutores do consumo nas torneiras (para sair menos água em cada utilização) ou diminuir a saída de água no registro geral. Ou colocar um balde debaixo do seu chuveiro que vai guardar a água que cai enquanto você espera a água chegar à temperatura ideal. Depois você pode usar esta água limpinha para molhar suas plantas ou lavar áreas e quintais, por exemplo. Resumo da ópera: arranjamos mais um trabalho pro nosso dia a dia. Tomara que ajude a diminuir o preço da conta. Eu vou tentar. E você?

7 de abr. de 2015

Rio concentra 60% do total de crianças mortas por policiais, diz ministério


Rio concentra 60% do total de crianças mortas por policiais, diz ministério

Em 12 anos, o Estado do Rio de Janeiro registrou 50 mortes de crianças e adolescentes de até 14 anos em decorrência de intervenções de policiais ou de outros agentes da lei, segundo dados do Ministério da Saúde. Os homicídios ocorridos em território fluminense correspondem a 60% do total de jovens assassinados no Brasil entre 2001 e 2012.

De acordo com o governo federal, policiais e outros agentes da lei mataram, nesse período, 84 vítimas em todo o país. O Ministério da Saúde explicou que esses casos ocorreram em intervenções legais, incluindo atos de detenção e outras ações. As circunstâncias de cada homicídio não foram detalhadas.

Na última quinta-feira (2), o estudante Eduardo de Jesus Ferreira, 10, morador do Complexo do Alemão, na zona norte do Rio, morreu após ser atingido por um disparo de arma de fogo na cabeça. A Polícia Civil investiga a veracidade do relato da mãe da vítima, Terezinha Maria de Jesus, e a versão corroborada por outras testemunhas: a de que o tiro teria sido feito por um policial militar quando a vítima estava na porta de casa. Já a CPP (Coordenadoria de Polícia Pacificadora) informou apenas que o menino foi atingido por um tiro durante confronto entre PMs e traficantes.

A morte de Ferreira não entrou na base estatística do Ministério da Saúde, mas repercutiu com força na mídia e levou o governador do Estado, Luiz Fernando Pezão (PMDB), a anunciar uma "reocupação" do Complexo do Alemão, onde outras três pessoas morreram também na semana passada. A região do conjunto de favelas conta com UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora).

A DH (Divisão de Homicídios) da Polícia Civil do Rio, que está à frente das investigações, não revelou mais detalhes sobre a investigação. A identidade dos policiais envolvidos na ação também não foi divulgada. Segundo a PM, eles foram afastados do policiamento na rua e respondem a um IPM (Inquérito Policial Militar). As armas foram recolhidas para confronto balístico. 

Indagado sobre estatísticas regionais, o Ministério da Saúde informou que 64 casos se deram na região Sudeste, quatro no Norte, nove no Nordeste, cinco no Sul e duas na região Centro-Oeste. Os dados são do SIM (Sistema de Informações sobre Mortalidade).   

Top 10 razões pelas quais a eutanásia não é a solução


Top 10 razões pelas quais a eutanásia não é a solução

Em décadas recentes, aumentaram os debates sobre a eutanásia, a prática de acabar com a vida de uma forma indolor. Uma das maiores controvérsias que cercam a questão, é se deve ou não ser legalizada. Os defensores da eutanásia exigem que a mesma seja legalizada, por ajudar os pacientes sem esperança a terminar o sofrimento deles.

E acreditam que as pessoas têm o direito de fazer o que quiser com o corpo delas, até se isso significa acabar com suas vidas para impedir a dor. Mas os oponentes da prática argumentam que ela deve ser banida. A prática da eutanásia tem muitos resultados indesejáveis e prejudiciais.

Eutanásia é assassinato

assassinato razões pelas quais a eutanásia não é a solução

A eutanásia, que vem da palavra grega eutanatos, significando morte boa ou digna, é o ato consciente de terminar com a vida por retenção de tratamento necessário, a eutanásia passiva.

Ou realizar um procedimento que causa diretamente e rapidamente a morte, a eutanásia ativa. Embora vistas por alguns como benéficas, a eutanásia passiva e ativa são consideradas imorais, pecaminosas, e na mesma categoria do aborto, um assassinato. No Brasil é crime, considerado homicídio.

Eutanásia dá poder de matar aos médicos

poder aos médicos razões pelas quais a eutanásia não e a solução

Os médicos estão habilitados para eutanásia. E isso dá a eles a oportunidade de brincar de Deus e a maioria dos médicos, principalmente aqueles que consideram sua profissão como uma ocupação e não uma paixão, aproveitará esta oportunidade. Isto é especialmente real para aqueles indivíduos sem escrúpulos.                                                                                                            

Eutanásia destrói a confiança do paciente na profissão médica

destrói confiança razões pelas quais a eutanásia não é a solução

Os médicos são as pessoas para os que estão doentes, e fracos e sentindo dor recorrerem como fonte segura. São indivíduos de confiança importantes para orientação e aconselhamento sobre a saúde.

Todos os acham que eles tem poder de curar e salvar vidas. Afinal, é o objetivo principal deles, salvar e não fazer mal. Então a seguinte situação é para refletir, de estar doente, e encontrar o médico de confiança realmente a praticar a eutanásia.

Eutanásia enfraquece a pesquisa médica

enfraquece pesquisa medica razões pelas quais a eutanásia não é a solução.

Compreendemos o motivo de algumas pessoas desejarem se matar. A dor é, em algumas vezes, é demais ao ponto que não é mais suportável para quem está sofrendo.

Mas, uma coisa que muitas pessoas, especialmente aqueles que apoiam a eutanásia, devem perceber que há uma cura para doenças, não importa o quanto pior elas sejam. Mesmo que algumas não sejam ainda descobertas, com o tempo, se tornarão disponíveis. Definitivamente, a eutanásia não é a solução para o enfermo.

Legalização da eutanásia envia uma mensagem de que a vida não vale a pena

vida não vale a pena razões pelas quais a eutanásia não é a solução

Os defensores da eutanásia costumam dizer que a eutanásia é uma forma de morrer com dignidade. Mas isto está errado. A eutanásia está matando e destruindo uma vida.                                                                                     Aceitar que a vida traz, tão bem como lutar até o final, não importa o quanto difícil ou dolorosa, a batalha seja, e esperar pela morte chegar naturalmente é como realmente acontece a morte digna.

Legalização da eutanásia muda a consciência pública

muda consciência publica razões pelas quais a eutanásia não é a solução

A lei é uma ferramenta poderosa que pode ser usada para mudar as crenças das pessoas, comportamento e consciência. Quando uma prática se torna legal e amplamente aceita, a mesma se transforma correta aos olhos da sociedade. Matar jamais deve ser o método correto.

Legalização da eutanásia leva a mais e mais matança

mais e mais matança razões pelas quais a eutanásia não é a solução

Os opositores da eutanásia argumentam que a legalização da mesma levaria a sociedade abaixo, uma ladeira escorregadia perigosa. Uma vez que a eutanásia seja legalmente permitida, as pessoas começarão a concordar que o suicídio é a solução legítima para os problemas da vida.

Eutanásia encoraja as pessoas vulneráveis a terminar com suas vidas

encoraja pessoas vulneráveis razões pelas quais a eutanásia não e a solução

Os defensores da eutanásia promovem a legalização por acreditarem que seja uma forma de proteger as pessoas vulneráveis da morte injusta e oferecer aos pacientes a morte com dignidade desejada e pacífica.

Os opositores da prática contrariam isto com a defesa de que a legalização da eutanásia não protege as pessoas vulneráveis, mas sim pressiona os mesmos a tomar decisões unilateralmente. Suicídio continua sendo suicídio, não importa se é assistido ou não.

As pessoas que solicitam a morte de misericórdia realmente não desejam morrer

não desejam morrer razões pelas quais a eutanásia não é a solução

Em momentos difíceis, especialmente na presença da morte, os pacientes são altamente vulneráveis. Eles não têm o conhecimento e força para compreender totalmente a situação deles, o que geralmente afeta suas decisões.

Muitas pessoas pensam que a principal razão de pacientes procurarem por eutanásia, é por causa da dor associada com a doença, mas a verdade é que se trata do medo do desconhecido.

Eutanásia é desnecessária, há muitas alternativas melhores

há alternativas melhores razões pelas quais a eutanásia não é a solução

As pessoas acreditam que na situação de ser diagnosticado com uma doença terminal, apenas há 2 escolhas, ou morrer lentamente em dor, ou morrer rapidamente com eutanásia. 

E poucos sabem que há outra opção que as pessoas doentes podem escolher, sendo constituída de amor e carinho competente. O maior medo das pessoas diagnosticadas com doença não é a dor física, mas o medo de serem vistos como um encargo e abandonados pelas suas famílias.