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20 de mar. de 2015

Graciliano Ramos

Conheça a tragetória de Graciliano Ramos

Há 62 anos morria no Rio de Janeiro Graciliano Ramos, considerado o melhor ficcionista e prosador do Movimento Modernista. Suas obras, embora tratem de problemas sociais do Nordeste brasileiro, apresentam também uma visão crítica das relações humanas.

Primeiro de dezesseis irmãos de uma família de classe média do Sertão nordestino, Graciliano Ramos, nasceu em Quebrangulo, em Alagoas, mas na juventude foi para Maceió, onde termina os estudos de segundo grau.

Na busca de novos horizontes, se muda para o Rio de Janeiro, onde passa um tempo trabalhando como jornalista.

Em 1915, volta para Alagoas, indo morar com o pai em Palmeira dos Índios. Lá, se envolve com os problemas da cidade e acaba eleito prefeito em 1927. No entanto, renuncia dois anos após a posse e se muda para Maceió, onde trabalha como diretor da Imprensa Oficial e professor.

Durante a ditadura Vargas, é preso em 1936 sob a acusação de conspiração comunista e é enviado para o presídio de Ilha Grande, no Rio de Janeiro, com outros 115 presos, onde fica até 1937.

Seu livro “Angústia” é lançado no mês de agosto daquele ano. A principal característica desse romance é a descrição dos estados de alma dos indivíduos, que se questionam o tempo todo sobre si e o mundo. Essa obra foi agraciada com o prêmio “Lima Barreto”, concedido pela “Revista Acadêmica”.

Em 1938, Graciliano Ramos publica o romance “Vidas Secas”. Nesse livro, ele narra a peregrinação silenciosa de quatro pessoas e uma cachorrinha, chamada Baleia, em meio à paisagem hostil do sertão nordestino.

Vidas Secas retrata a realidade brasileira não só da época em que o livro foi escrito, mas também dos dias de hoje, tais como injustiça social, miséria, fome, desigualdade e seca.

Outro livro de destaque na obra de Graciliano Ramos é “Memórias do Cárcere”, no qual ele documenta os momentos vividos na prisão em Ilha Grande. Ao todo, Graciliano Ramos escreveu 14 livros, alguns traduzidos e publicados em vários países.

Em 1963 e 1983, seus livros "Vidas Secas" e "Memórias do Cárcere" são adaptados para o cinema por Nelson Pereira dos Santos. Em 1980, foi a vez do diretor Leon Hirszman levar para as telas o romance "São Bernardo".

Dia da Ordem DeMolay!

A Ordem DeMolay é uma sociedade discreta de princípios filosóficos, fraternais, iniciáticos e filantrópicos, para jovens do sexo masculino com idade compreendida entre os 12 e os 21 anos. É uma organização neo-templária fundada nos Estados Unidos, em 18 de Março de 1919, pelo maçon Frank Sherman Land patrocinada e mantida pela Maçonaria[carece de fontes], oficialmente desde 1921, que na maioria dos casos cede espaço para as reuniões dos Capítulos DeMolays e Priorados da Ordem da Cavalaria - denominações das células da organização.

A Ordem é inspirada na vida e morte do nobre francês Jacques de Molay, 23º e último Grão-Mestre da Ordem dos Templários, morto em 18 de março de 1314 junto ao Preceptor da Normandia, Geoffroi de Charney por contestar as falsas acusações de prática de diversas heresias como infidelidade à Igreja, sodomia, adoração de ídolos etc. Pode-se acreditar que o motivo de tais acusações fosse a ambição do Rei Filipe IV, o Belo e o Papa Clemente V, pelas posses da Ordem dos Templários, pois em caso de prisão, os bens do acusado passariam a pertencer ao Estado francês.

A Ordem Demolay possui cerca de 8 milhões de membros em todo o mundo e mais de 200 mil no Brasil. O DeMolay que completa 21 anos de idade, é denominado Sênior DeMolay, perde seu direito a voto e o de ocupar cargos efetivo e passa a poder acompanhar os trabalhos do Capítulo através da "Associação DeMolay Alumni". No Brasil, a Ordem é distribuída em mais de setecentos e noventa capítulos, sendo que os milhares de DeMolays regulares de todos os Estados da federação se reúnem freqüentemente.

No mundo, a Ordem DeMolay pode ser encontrada em vários países como Argentina, Aruba (Países Baixos), Alemanha, Austrália, Bolívia, Brasil, Canadá, Colômbia, Estados Unidos, Filipinas, França, Guam (Estados Unidos), Itália, Japão, México, Panamá, Paraguai, Peru e Uruguai.

No dia 8 de abril de 2008, o Estado de São Paulo estabeleceu o Dia do DeMolay, através da Lei Estadual nº 12.905, a ser comemorado anualmente no dia 18 de março. Em  19 de janeiro de 2010, foi promulgada a Lei Federal nº 12.208 que insituiu o dia 18 de março como o Dia Nacional do DeMolay, seguindo o exemplo paulista, sendo que a escolha da data marca o falecimento de Jacques de Molay, herói e mártir que inspirou o nome da Ordem.

12 de fev. de 2015

Bolsa parlamentar!



Aproveitando-se da fragilidade política do governo Dilma Rousseff (PT), o Congresso votou na terça-feira (10) uma proposta que modifica a Constituição e torna obrigatória a liberação de verbas do Orçamento para as chamadas emendas parlamentares individuais. 

Realiza-se, assim, um antigo sonho de deputados e senadores. Com a promulgação do dispositivo pelo comando do Legislativo –a medida não está sujeita a veto do Planalto–, cada um dos congressistas terá à disposição uma quantia predeterminada para encaminhar a seu reduto eleitoral. 

Correspondendo no total a 1,2% da receita corrente líquida, a "bolsa parlamentar" será de R$ 16,3 milhões neste ano. Ao todo, são R$ 9,7 bilhões de verbas públicas reservadas em 2015 para esse fim.
Emendas ao Orçamento, em tese, poderiam representar um contrapeso ao poder do Executivo. Problemas regionais que porventura escapem à visada do governo central teriam uma chance de ser contemplados nesses adendos. 

Na prática, entretanto, seu funcionamento é outro. De um lado, têm constituído fonte de inúmeros escândalos de corrupção, dos anões do Orçamento, nos anos 1990, ao desvio de recursos no Ministério do Turismo, para mencionar um episódio mais recente. 

De outro, as emendas se transformaram em moeda de troca usada pelo Executivo nas votações de seu interesse. Isso porque, até agora, ao governo era dado bloquear o dinheiro dessa rubrica, liberando-o conforme suas conveniências. 

Argumenta-se que, tornadas impositivas, deixarão de servir como instrumento de barganha. De fato. Mas daí não decorre que a relação entre o Planalto e o Legislativo passará a se pautar somente por negociações legítimas. 

Não há motivo para crer que o congressista típico se dará por satisfeito com o naco que já é seu. Parece mais provável que abocanhe sua fatia e ainda queira repetir. 

Sem produzir o benefício propalado, a execução obrigatória das emendas pode trazer efeitos indesejados: proliferação das falcatruas e pulverização de gastos paroquiais feitos de olho na eleição seguinte. Em suma, desperdício de escassos recursos que teriam melhor uso se aplicados em projetos mais amplos de desenvolvimento. 

O Congresso não buscou aprovar uma medida que aperfeiçoa o Orçamento do país, muitas vezes criticado por ser uma peça de ficção. Tratou, isto sim, de puxar para si um cobertor que já não dá para todos os brasileiros.

10 de fev. de 2015

Por que o saneamento básico é tão precário no Brasil?


Por que o saneamento básico é tão precário no Brasil?

De acordo com um estudo divulgado pelo Instituto Trata Brasil em 2014, o Brasil ocupa a 112ª posição em um conjunto de 200 países no quesito saneamento básico

A maioria das cidades e municípios brasileiros não conta com um sistema de saneamento básico. De acordo com um estudo divulgado pelo Instituto Trata Brasil em 2014, o Brasil ocupa a 112ª posição em um conjunto de 200 países no quesito saneamento básico. O estudo mostra ainda que, se houvesse uma cobertura mais ampla do saneamento, as internações por problemas de saúde diminuiriam bastante e traria uma economia em torno de R$ 121 milhões.

As prefeituras dizem que as maiores dificuldades são a falta de dinheiro e de mão de obra capacitada para fazer o plano de saneamento. Segundo o Ministério das Cidades, em 2013, apenas 30% dos municípios brasileiros tiveram acesso a recursos federais para saneamento básico. De acordo com o Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, o atendimento com rede coletora de esgoto chega a 48% da população e apenas 38% do esgoto são tratados.

5 de fev. de 2015

O papel da Justiça

A crer no clichê mais em voga, a Justiça brasileira é ruim porque, entre outros motivos, oferece às partes tantas e tão generosas possibilidades recursais que se torna lenta e ineficiente. Embora exista uma boa dose de verdade nesse lugar-comum, ele peca por passar a sensação de que o Judiciário sempre se comporta de maneira leniente. 

Quando se trata de prisões em flagrante, contudo, dá-se o contrário: prevalece o rigor excessivo. Na prática, o indivíduo detido enquanto comete um ato criminoso permanece encarcerado por muito mais tempo do que seria justificável, muitas vezes sem nem ter seu caso examinado por um juiz. 

Uma anomalia que, com décadas de atraso, o Conselho Nacional de Justiça pretende corrigir, começando neste mês em São Paulo.
Exceção no nosso ordenamento, a prisão em flagrante representa rara circunstância em que a Constituição permite a restrição da liberdade por ato administrativo. Sem um instrumento desse tipo, homicidas furiosos com armas em riste, por exemplo, só poderiam ser detidos após deliberação da Justiça. 

A fim de evitar exageros, prisões em flagrante devem ser informadas de imediato ao Ministério Público, a familiares e ao juiz competente, a quem cabe convertê-la em preventiva ou liberar o acusado, adotando as providências cabíveis. 

A polícia, entretanto, costuma encaminhar ao juiz só a papelada do caso. O contraditório, quando existe, fica prejudicado, já que o acusado, nesta fase inicial, pode não ter um defensor de confiança.
Foi para diminuir o risco de abusos que o Brasil, no longínquo ano de 1992, ratificou o Pacto de San José, no âmbito da Organização dos Estados Americanos. Entre outras disposições, o documento determina que toda pessoa detida seja conduzida sem demora à presença de autoridade judicial, que, ato contínuo, decidirá os próximos passos. 

Não se trata de panaceia, mas a apresentação física tende a equilibrar o jogo. O acusado tem não só a oportunidade de contestar as informações trazidas pela polícia mas também, e mais importante, de denunciar práticas como coação ou tortura, que, infelizmente, ainda são rotina em certas delegacias. 

É fundamental, assim, que essa audiência de custódia se torne realidade. Não se ignoram as dificuldades logísticas para fazê-lo, entre as quais se destacam o deslocamento de criminosos perigosos e o volume de situações a serem analisadas pelos magistrados.
São obstáculos, mas não barreiras intransponíveis. As autoridades devem encontrar, e logo, a melhor fórmula para contornar o problema. Não dá para aceitar que o Brasil mantenha um sistema que, no papel, dá todas as garantias aos presos, mas, na prática, permite que se repitam graves abusos.

30 de jan. de 2015

Economizar é preciso

Economizar é preciso

A verdade é que a evolução tecnológica trouxe equipamentos para as nossas casas e, junto, o aumento do consumo

Nasci e cresci ouvindo meu pai, com aquele jeitão imperativo dele, me cobrando: “Você é sócia da Light?” A frase marcou gerações. E meu pai, sabia muito bem a importância de economizar pra sobreviver. Eu odiava ouvir a frase, mas nunca a esqueci e ela volta agora, com força total, diante da chamada crise hídrica e possibilidade de racionamento de energia. E me apavora de novo, com a mesma força ameaçadora. 

Economizar é preciso, independentemente das atitudes que nossos governantes deveriam ter tomado ou que, agora, terão forçosamente que tomar, e do custo da conta que preocupa a todos nós. A verdade é que a evolução tecnológica trouxe muitos equipamentos para as nossas casas e, junto, trouxe o aumento do consumo. Exemplos bobos do dia a dia podem ajudar, como por exemplo, não ligar o ferro para passar uma única peça de roupa, passe todas as roupas de uma tacada só, esperar a comida esfriar para guardá-la na geladeira e não abrir a porta dela a todo momento. Bater o bolo na mão para não usar a batedeira, espremer o limão da salada no espremedor comum em vez de usar o elétrico, usar a máquina de lavar roupa na capacidade máxima, atitude que vale também para a máquina de lavar louça. Quando chamar o elevador, chame apenas um. 

Pesquisando na internet, descobri uma expressão – energia vampira — que fala do desperdício em relação aos aparelhos que ficam no modo stand by, ou seja, com a luz vermelha acesa. Se tirar alguns deles da tomada, nem vai fazer diferença. O mesmo vale para a água. A gente nem repara na quantidade que gasta e no que poderia não gastar. E a conta de água do Rio é, segundo o Secovi, Sindicato da Habitação, a conta residencial mais cara do país.
Sei que alguém mais metido a sofisticado vai achar uma bobagem este texto falando de economia de água e luz diante de tantos problemas mundiais... Mas vou falar assim mesmo, porque tenho horror ao racionamento e também porque descobri que só para escovar os dentes com a torneira aberta, por 5 minutos, uma pessoa gasta 12 litros de água e economiza 11 se escovar os dentes com a torneira fechada. Isso vale também para quem faz a barba com a torneira aberta. 

Se fechar a água do chuveiro enquanto se ensaboar, por 5 minutos, uma criatura deixa de gastar 80 litros de água. E neste calor senegalês a água é fundamental. Banho e ar-condicionado também. Portanto, vamos limpar os filtros dos aparelhos, fechar portas e janelas, se ligar na tal da economia. Afinal, você não é sócio da Light e, se não economizar, vai faltar. Talvez falte assim mesmo. Mas vale tentar.

29 de dez. de 2014

CRÔNICA: EU ACREDITO EM ANO NOVO

CRÔNICA: EU ACREDITO EM ANO NOVO

Eu tenho um amigo que não liga para anos novos. Diz ele que é tudo igual, um dia atrás do outro e que foi a gente quem inventou esse negócio de calendário. Realmente, ele não deixa de ter razão. Fez lembrar até aquele poema do Drummond, que sempre roda as redes sociais quando está se acabando o ano: "Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias/(...)/foi um indivíduo genial./Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão". Mas... aqui pra nós: é tão boa a sensação que a gente tem 365 dias pela frente, pra fazer tudo de novo...

Às vezes, fico brincando de futurologia e imaginando que, daqui a cem, duzentos anos, os estudiosos que resolverem se debruçar sobre a nossa época vão ficar horrorizados com o que virem. Acho que nunca tivemos, na breve comédia humana, uma época tão feia, de tanto desencanto. Tudo é muito barulhento, tudo é muito rápido; tudo tem de ser feito para ontem, de maneira que as pessoas ou estão ansiosas, porque querem adiantar o futuro, ou angustiadas, porque se lamentam do passado.

Vivemos nos gabando do fim da Ditadura, sem nos darmos conta de que, hoje, vivemos não apenas em uma, mas em várias, dadas pelo consumo: a ditadura da beleza, que faz com que as academias estejam lotadas, para a busca de um ideal estético que poucos conseguem obter; a ditadura da felicidade, na qual todos têm a obrigação de estar nos mesmos lugares, senão, você vira escravo de outra ditadura: a do constrangimento. E daí vem as frustrações...
Fiquei chocado ao saber que os consultórios psiquiátricos não têm mais vagas. O que está acontecendo com as pessoas? Estamos todos enlouquecendo? Acho que estamos todos adoecendo... da alma. Cadê a dimensão contemplativa da vida, minha gente? Hoje, no frêmito de se acumular, de se ganhar - sem poder jamais perder ou errar - ninguém mais para pra nada. Parar pra quê? Pra ser atropelado por outrem ou para aumentar a sensação de obsolescência desse mundo louco, que faz gente de 22, 23 anos bater o pé e se sentir "velha".

Já não são mais tão incomuns os casos de pessoas que trocam carreiras estáveis, bons salários, muitas vezes acima da média, em nome de outras atividades, mais prazerosas, ou mesmo de um tempo a mais para viver a vida, de preferência, com o pé no freio, o que mostra que, de fato, está tudo errado com a nossa geração e que precisamos urgentemente de uma mudança. Mas de algo gradual e não aquela loucura de "fim de mundo", que de tempos em tempos assombra a humanidade, como uma panaceia, algo "rápido e indolor", bem ao gosto do hoje em dia.

Sim, amigo, você tem razão. A vida continua como se não existissem calendários, mas eu me filio à corrente majoritária, que prefere acreditar em ano novo. Ou, simplesmente, acreditar. Vejo gente, como eu, cansada dessa loucura da vida de hoje e buscando fazer a diferença. Uma vez, li um pensamento, desses que rodam pela internet, que dizia: "você não pode mudar o passado, mas pode fazer um novo futuro". E, para isso, desculpe-me, amigo, mas eu preciso dos meus 365 dias. Que podem não ser muita coisa, vá lá! Mas que, pelo menos, me dão alguma esperança.

26 de dez. de 2014

Quebre agora o ciclo de fazer dívidas

Quebre agora o ciclo de fazer dívidas

Não comece a se endividar no fim do ano

Diversas pesquisas mostram que, em média, dois em cada três brasileiros usarão o 13º salário para quitar dívidas. É uma atitude sensata e correta. Mas não é sensato acreditar que dívidas são resultado do acaso ou de imprevistos e que, em 2015, daqui a um ano, você não terá esse problema se imprevistos não ocorrerem. Só há um motivo para o endividamento não planejado: más escolhas.

As dívidas do início de dezembro começaram a se formar na empolgação de 12 meses anteriores. Ao receber o 13º salário em 2013, muitos brasileiros já tinham escolhas limitadas pelas dívidas acumuladas ao longo daquele ano. Dívidas foram quitadas – isso já é tradição –, e o pouco que sobrou do 13º foi usado para compras natalinas, celebrações, gratificações e gastos extras de férias.

Veio janeiro e, com ele, as contas que se concentram nessa época, principalmente IPTU, IPVA, matrículas escolares, anuidades de associações profissionais e materiais e uniformes escolares. Sem dinheiro para quitar esses compromissos à vista, já que o 13º fora consumido, restou aos brasileiros parcelar os pagamentos possíveis, já no início do ano.

Ao acumular prestações, não assumimos apenas um gasto financeiro maior. As prestações nos impõem um limite menor para lidar com imprevistos. Elas diminuem a verba para gastos avulsos, que poderiam ser remanejados diante de mudanças de planos. Com menos liberdade, aumenta a probabilidade de falta de recursos. Isso lança as famílias brasileiras no uso do cheque especial, do crédito rotativo no cartão ou de outras formas de empréstimo pessoal.

O mau uso do 13º agora se traduzirá em grande chance de limitar o uso do 13º salário de 2015. Não é sensato continuar a empurrar dívidas com a barriga dessa maneira. A regra básica é entender que o 13º salário serve para quitar os grandes compromissos de janeiro, não para abater as dívidas acumuladas até dezembro.

Quem tem dívidas, que as pague agora, para não levar para 2015 os problemas deste ano. Se sobrar dinheiro, reserve para quitar os gastos de início de ano. Somente após essa reserva, caso ainda sobre dinheiro, você poderá se dar ao luxo de ter um fim de ano generoso, com presentes mais caros. Se não for esse seu caso, use mais criatividade e menos o dinheiro para presentear e tirar férias.

Ao fazer isso, o sentimento certamente será de privação, principalmente se comparado aos hábitos nos anos anteriores. Esse padrão de escolhas não precisará se repetir nos próximos anos. Com menos prestações em 2015, você terá mais folga para aproveitar melhor seu próximo 13o. Quebre o ciclo das dívidas agora e mantenha-se organizado. Garanto  que os finais de ano serão melhores daqui para a frente.

Começar de novo

Começar de novo

Este ano, quem sabe, com um pouco mais de desapego

Ontem, debaixo do chuveiro – cheio de culpa por ainda tomar banho em plena crise d'água – tentei listar as coisas que gostaria de ter em 2015. Mais água, seguramente. A graça do amor, sobre a qual escrevi na semana passada. Mas não só. Enquanto me ensaboava com a água fechada, me ocorreu que seria bom ser mais desapegado do que sou. De tudo: coisas, pessoas e situações. Gente apegada sofre muito. Cada vez que ocorre uma ruptura, o mundo vem abaixo. Cada vez que uma perda acontece, morremos. Que tal mudar isso no Ano Novo?

Já sei o que alguns dirão: não se muda isso de uma hora para outra. Um traço de personalidade desses nasce conosco, ou se desenvolve muito cedo. É, de qualquer forma, algo profundo, arraigado. Provavelmente, os apegados já choravam quando a mãe, exausta, os tirava do peito. Desde então têm trauma de separação. Ainda que o apego seja inato, quase biológico, pode ser mexido. Da mesma forma que somos a única espécie do planeta capaz de lembrar suas dores, somos também dotados do impulso irremovível da esperança. Onde há gente, pode haver mudança. Ou, pelo menos, aspiração.

Outros, assumindo que seja possível desapegar, perguntarão se é realmente desejável. Não é bonito alguém que se envolve? Não é humano e natural alguém que incorpora gente à sua volta? A resposta é: depende. Às vezes, envolver-se é uma delícia. Noutras, seria preferível ter caído num poço e quebrado a perna. Nunca pensei nisso dessa forma, mas a média entre poços e situações deliciosas talvez não seja favorável aos apegados.

Os desapegados parecem mais felizes. O sentimento acabou? Eles sofrem pelo tempo regulamentar – de 15 minutos a duas semanas –, depois retomam a rotina. Sem traumas. Em vez de, como os apegados, morar numa montanha russa em que a vida oscila entre altos e baixos terríveis, eles vivem em práticos fletes emocionais. Requisitam serviços afetivos e sexuais quando precisam, não dividem o espaço com ninguém, e tudo está sempre arrumado, no mesmo lugar, sem confusão e sem mistura. Não gostaria de morar num lugar emocional como esse, me pareceria asséptico e impessoal. Mas quem vive assim parece estar bem. Ou engana.

Independência e estabilidade afetiva parecem o ponto forte da vida desapegada. No centro dela, está um indivíduo autônomo e auto-suficiente, que depende pouco – ou quase nada – do afeto alheio. Ele tem, como todos na vida, redes sociais que provêm proteção e carinho. No centro delas, não há alguém especial de quem eles dependem para garantir a paz do dia e o calor da noite. No centro da vida deles, estão eles mesmos, como indivíduos – um conceito óbvio, ainda assim estranho a quem depende da presença de um outro para ser feliz.

Como se forma gente de um tipo ou de outro? São as experiências que nos tornam menos permeáveis ao envolvimento? Ou quem adora se vincular já nasceu assim? Somos o resultado de uma mistura indecifrável, mas certamente não existe hierarquia naquilo que somos. Não há melhores e piores. Há um bocado de caráter na atitude de quem decide lidar com o mundo sozinho, assim como há enorme coragem nos atos de quem arrisca sua integridade emocional num relacionamento com estranhos – e todo ser humano é um estranho, mesmo depois de anos de convívio e de intimidade.

Sendo eu mesmo um apegado emocional, que sofre terríveis nostalgias e tem dificuldades imensas em recomeçar, não seria ruim iniciar 2015 com um grão de desapego. Não gostaria de virar uma pedra de gelo ou de me tornar um daqueles tipos indiferentes, que olham o mundo com a boca virada para baixo, num estado permanente de desagrado. Esses são infelizes. Falo de ser um pouco mais contente sozinho, de me assustar um pouco menos com a solidão, de lidar com a dor – essa que nubla o dia de amanhã e encharca o hoje de melancolia - de forma menos exasperada.

O ano que começa daqui a pouco, dizem, será mais difícil na vida pública. Em muitas vidas privadas, por diferentes razões, tampouco se anuncia mais fácil. Há que enfrentá-lo com aquela mistura de esperança e resignação que nos define como espécie desde os primórdios. A gente erra, sofre e faz de novo, um pouquinho melhor. Ou sofre, fundamentalmente, sem ter errado. Levanta-se assim mesmo – e avança. É disto que nos lembra o Ano Novo: a metáfora do recomeço. É nossa chance de pôr as coisas no lugar. Talvez, até de melhorá-las um pouquinho. De melhorar a nós mesmos. De começar de novo, com um pouco mais de desapego.

13 de out. de 2014

A MÚSICA DO DIA - Hoje é Dia do Escritor!

13/10/2014 00h01

Hoje é Dia do Escritor

Um bom escritor precisa ser um excelente leitor.

Educação - Livros
Divulgação/Prefeitura de Cantanhede (MA)
Nos dias de hoje, há escritores sem livro, pois a internet permite o livro digital, tendência que já recebeu a adesão de escritores tradicionais. Machado de Assis não teve essa chance, claro. Mas os atuais podem. Alguns escritores são descobertos após a morte. Não no sentido de serem escritores, mas por terem escondido muito bem preciosidades, como Fernando Pessoa

A Música do Dia é Segue o Teu Destino, uma poesia de Ricardo Reis cantada por Nana Caymmy.
Produção e apresentação - Luiz Cláudio Canuto
Direção de Núcleo - Mônica Montenegro