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29 de dez. de 2014

CRÔNICA: EU ACREDITO EM ANO NOVO

CRÔNICA: EU ACREDITO EM ANO NOVO

Eu tenho um amigo que não liga para anos novos. Diz ele que é tudo igual, um dia atrás do outro e que foi a gente quem inventou esse negócio de calendário. Realmente, ele não deixa de ter razão. Fez lembrar até aquele poema do Drummond, que sempre roda as redes sociais quando está se acabando o ano: "Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias/(...)/foi um indivíduo genial./Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão". Mas... aqui pra nós: é tão boa a sensação que a gente tem 365 dias pela frente, pra fazer tudo de novo...

Às vezes, fico brincando de futurologia e imaginando que, daqui a cem, duzentos anos, os estudiosos que resolverem se debruçar sobre a nossa época vão ficar horrorizados com o que virem. Acho que nunca tivemos, na breve comédia humana, uma época tão feia, de tanto desencanto. Tudo é muito barulhento, tudo é muito rápido; tudo tem de ser feito para ontem, de maneira que as pessoas ou estão ansiosas, porque querem adiantar o futuro, ou angustiadas, porque se lamentam do passado.

Vivemos nos gabando do fim da Ditadura, sem nos darmos conta de que, hoje, vivemos não apenas em uma, mas em várias, dadas pelo consumo: a ditadura da beleza, que faz com que as academias estejam lotadas, para a busca de um ideal estético que poucos conseguem obter; a ditadura da felicidade, na qual todos têm a obrigação de estar nos mesmos lugares, senão, você vira escravo de outra ditadura: a do constrangimento. E daí vem as frustrações...
Fiquei chocado ao saber que os consultórios psiquiátricos não têm mais vagas. O que está acontecendo com as pessoas? Estamos todos enlouquecendo? Acho que estamos todos adoecendo... da alma. Cadê a dimensão contemplativa da vida, minha gente? Hoje, no frêmito de se acumular, de se ganhar - sem poder jamais perder ou errar - ninguém mais para pra nada. Parar pra quê? Pra ser atropelado por outrem ou para aumentar a sensação de obsolescência desse mundo louco, que faz gente de 22, 23 anos bater o pé e se sentir "velha".

Já não são mais tão incomuns os casos de pessoas que trocam carreiras estáveis, bons salários, muitas vezes acima da média, em nome de outras atividades, mais prazerosas, ou mesmo de um tempo a mais para viver a vida, de preferência, com o pé no freio, o que mostra que, de fato, está tudo errado com a nossa geração e que precisamos urgentemente de uma mudança. Mas de algo gradual e não aquela loucura de "fim de mundo", que de tempos em tempos assombra a humanidade, como uma panaceia, algo "rápido e indolor", bem ao gosto do hoje em dia.

Sim, amigo, você tem razão. A vida continua como se não existissem calendários, mas eu me filio à corrente majoritária, que prefere acreditar em ano novo. Ou, simplesmente, acreditar. Vejo gente, como eu, cansada dessa loucura da vida de hoje e buscando fazer a diferença. Uma vez, li um pensamento, desses que rodam pela internet, que dizia: "você não pode mudar o passado, mas pode fazer um novo futuro". E, para isso, desculpe-me, amigo, mas eu preciso dos meus 365 dias. Que podem não ser muita coisa, vá lá! Mas que, pelo menos, me dão alguma esperança.

26 de dez. de 2014

Quebre agora o ciclo de fazer dívidas

Quebre agora o ciclo de fazer dívidas

Não comece a se endividar no fim do ano

Diversas pesquisas mostram que, em média, dois em cada três brasileiros usarão o 13º salário para quitar dívidas. É uma atitude sensata e correta. Mas não é sensato acreditar que dívidas são resultado do acaso ou de imprevistos e que, em 2015, daqui a um ano, você não terá esse problema se imprevistos não ocorrerem. Só há um motivo para o endividamento não planejado: más escolhas.

As dívidas do início de dezembro começaram a se formar na empolgação de 12 meses anteriores. Ao receber o 13º salário em 2013, muitos brasileiros já tinham escolhas limitadas pelas dívidas acumuladas ao longo daquele ano. Dívidas foram quitadas – isso já é tradição –, e o pouco que sobrou do 13º foi usado para compras natalinas, celebrações, gratificações e gastos extras de férias.

Veio janeiro e, com ele, as contas que se concentram nessa época, principalmente IPTU, IPVA, matrículas escolares, anuidades de associações profissionais e materiais e uniformes escolares. Sem dinheiro para quitar esses compromissos à vista, já que o 13º fora consumido, restou aos brasileiros parcelar os pagamentos possíveis, já no início do ano.

Ao acumular prestações, não assumimos apenas um gasto financeiro maior. As prestações nos impõem um limite menor para lidar com imprevistos. Elas diminuem a verba para gastos avulsos, que poderiam ser remanejados diante de mudanças de planos. Com menos liberdade, aumenta a probabilidade de falta de recursos. Isso lança as famílias brasileiras no uso do cheque especial, do crédito rotativo no cartão ou de outras formas de empréstimo pessoal.

O mau uso do 13º agora se traduzirá em grande chance de limitar o uso do 13º salário de 2015. Não é sensato continuar a empurrar dívidas com a barriga dessa maneira. A regra básica é entender que o 13º salário serve para quitar os grandes compromissos de janeiro, não para abater as dívidas acumuladas até dezembro.

Quem tem dívidas, que as pague agora, para não levar para 2015 os problemas deste ano. Se sobrar dinheiro, reserve para quitar os gastos de início de ano. Somente após essa reserva, caso ainda sobre dinheiro, você poderá se dar ao luxo de ter um fim de ano generoso, com presentes mais caros. Se não for esse seu caso, use mais criatividade e menos o dinheiro para presentear e tirar férias.

Ao fazer isso, o sentimento certamente será de privação, principalmente se comparado aos hábitos nos anos anteriores. Esse padrão de escolhas não precisará se repetir nos próximos anos. Com menos prestações em 2015, você terá mais folga para aproveitar melhor seu próximo 13o. Quebre o ciclo das dívidas agora e mantenha-se organizado. Garanto  que os finais de ano serão melhores daqui para a frente.

Começar de novo

Começar de novo

Este ano, quem sabe, com um pouco mais de desapego

Ontem, debaixo do chuveiro – cheio de culpa por ainda tomar banho em plena crise d'água – tentei listar as coisas que gostaria de ter em 2015. Mais água, seguramente. A graça do amor, sobre a qual escrevi na semana passada. Mas não só. Enquanto me ensaboava com a água fechada, me ocorreu que seria bom ser mais desapegado do que sou. De tudo: coisas, pessoas e situações. Gente apegada sofre muito. Cada vez que ocorre uma ruptura, o mundo vem abaixo. Cada vez que uma perda acontece, morremos. Que tal mudar isso no Ano Novo?

Já sei o que alguns dirão: não se muda isso de uma hora para outra. Um traço de personalidade desses nasce conosco, ou se desenvolve muito cedo. É, de qualquer forma, algo profundo, arraigado. Provavelmente, os apegados já choravam quando a mãe, exausta, os tirava do peito. Desde então têm trauma de separação. Ainda que o apego seja inato, quase biológico, pode ser mexido. Da mesma forma que somos a única espécie do planeta capaz de lembrar suas dores, somos também dotados do impulso irremovível da esperança. Onde há gente, pode haver mudança. Ou, pelo menos, aspiração.

Outros, assumindo que seja possível desapegar, perguntarão se é realmente desejável. Não é bonito alguém que se envolve? Não é humano e natural alguém que incorpora gente à sua volta? A resposta é: depende. Às vezes, envolver-se é uma delícia. Noutras, seria preferível ter caído num poço e quebrado a perna. Nunca pensei nisso dessa forma, mas a média entre poços e situações deliciosas talvez não seja favorável aos apegados.

Os desapegados parecem mais felizes. O sentimento acabou? Eles sofrem pelo tempo regulamentar – de 15 minutos a duas semanas –, depois retomam a rotina. Sem traumas. Em vez de, como os apegados, morar numa montanha russa em que a vida oscila entre altos e baixos terríveis, eles vivem em práticos fletes emocionais. Requisitam serviços afetivos e sexuais quando precisam, não dividem o espaço com ninguém, e tudo está sempre arrumado, no mesmo lugar, sem confusão e sem mistura. Não gostaria de morar num lugar emocional como esse, me pareceria asséptico e impessoal. Mas quem vive assim parece estar bem. Ou engana.

Independência e estabilidade afetiva parecem o ponto forte da vida desapegada. No centro dela, está um indivíduo autônomo e auto-suficiente, que depende pouco – ou quase nada – do afeto alheio. Ele tem, como todos na vida, redes sociais que provêm proteção e carinho. No centro delas, não há alguém especial de quem eles dependem para garantir a paz do dia e o calor da noite. No centro da vida deles, estão eles mesmos, como indivíduos – um conceito óbvio, ainda assim estranho a quem depende da presença de um outro para ser feliz.

Como se forma gente de um tipo ou de outro? São as experiências que nos tornam menos permeáveis ao envolvimento? Ou quem adora se vincular já nasceu assim? Somos o resultado de uma mistura indecifrável, mas certamente não existe hierarquia naquilo que somos. Não há melhores e piores. Há um bocado de caráter na atitude de quem decide lidar com o mundo sozinho, assim como há enorme coragem nos atos de quem arrisca sua integridade emocional num relacionamento com estranhos – e todo ser humano é um estranho, mesmo depois de anos de convívio e de intimidade.

Sendo eu mesmo um apegado emocional, que sofre terríveis nostalgias e tem dificuldades imensas em recomeçar, não seria ruim iniciar 2015 com um grão de desapego. Não gostaria de virar uma pedra de gelo ou de me tornar um daqueles tipos indiferentes, que olham o mundo com a boca virada para baixo, num estado permanente de desagrado. Esses são infelizes. Falo de ser um pouco mais contente sozinho, de me assustar um pouco menos com a solidão, de lidar com a dor – essa que nubla o dia de amanhã e encharca o hoje de melancolia - de forma menos exasperada.

O ano que começa daqui a pouco, dizem, será mais difícil na vida pública. Em muitas vidas privadas, por diferentes razões, tampouco se anuncia mais fácil. Há que enfrentá-lo com aquela mistura de esperança e resignação que nos define como espécie desde os primórdios. A gente erra, sofre e faz de novo, um pouquinho melhor. Ou sofre, fundamentalmente, sem ter errado. Levanta-se assim mesmo – e avança. É disto que nos lembra o Ano Novo: a metáfora do recomeço. É nossa chance de pôr as coisas no lugar. Talvez, até de melhorá-las um pouquinho. De melhorar a nós mesmos. De começar de novo, com um pouco mais de desapego.

13 de out. de 2014

A MÚSICA DO DIA - Hoje é Dia do Escritor!

13/10/2014 00h01

Hoje é Dia do Escritor

Um bom escritor precisa ser um excelente leitor.

Educação - Livros
Divulgação/Prefeitura de Cantanhede (MA)
Nos dias de hoje, há escritores sem livro, pois a internet permite o livro digital, tendência que já recebeu a adesão de escritores tradicionais. Machado de Assis não teve essa chance, claro. Mas os atuais podem. Alguns escritores são descobertos após a morte. Não no sentido de serem escritores, mas por terem escondido muito bem preciosidades, como Fernando Pessoa

A Música do Dia é Segue o Teu Destino, uma poesia de Ricardo Reis cantada por Nana Caymmy.
Produção e apresentação - Luiz Cláudio Canuto
Direção de Núcleo - Mônica Montenegro

Ex-cônjuge deve dividir indenização trabalhista após dissolução conjugal

 Ex-cônjuge deve dividir indenização trabalhista após dissolução conjugal

Publicado por Instituto Brasileiro de Direito de Família - 5 dias atrás

A Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que o direito ao recebimento de proventos como o salário, a aposentadoria e honorários não são partilhados (checar se pode ser assim) ao fim do casamento. No entanto, quando essas verbas são recebidas durante a união, elas se tornam bem comum, seja dinheiro em espécie ou bens adquiridos com ele.

Para a defensora pública Cláudia Tannuri, membro do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM), a decisão é muito positiva e deve-se dar (tem como melhorar aqui?) uma interpretação sistemática e razoável ao disposto no artigo 1659, parágrafos 6 e 7 do Código Civil, que prevêem a incomunicabilidade de tais valores, de modo a reconhecer que os proventos adquiridos durante o casamento, mesmo que só por um dos cônjuges, são frutos do esforço comum do casal e, dessa forma, devem ser partilhados por ocasião da dissolução conjugal. “O casamento gera comunhão de vida e de propósitos entre as pessoas, razão pela qual tanto os bens adquiridos como os valores eventualmente auferidos devem ser divididos entre o casal. Ademais, deve-se reconhecer a contribuição não somente financeira como também moral e afetiva que o outro cônjuge proporcionou àquele que adquiriu os proventos”, diz. Este entendimento também deve ser aplicado à situação em que o fato gerador dos proventos e a sua busca na Justiça ocorrem durante a vigência do casamento, independentemente da data em que for feito o pagamento. Por esse motivo, a indenização trabalhista correspondente a direitos adquiridos durante a união, integra o acervo patrimonial partilhável.

Uma decisão anterior aponta que a interpretação harmônica dos artigos 1.659, inciso 6º, e 1.660, inciso 5º, do Código Civil de 2002 permitem concluir que os valores obtidos por qualquer um dos cônjuges a título de retribuição pelo trabalho integram o patrimônio comum tão logo sejam recebidos. Ou seja, tratando-se de salário, esse ingressa mensalmente no patrimônio do casal, prestigiando-se dessa forma o esforço comum dos cônjuges.

Dados da indenização – A decisão recente ocorreu em um julgamento de recurso de uma ex-esposa que pleiteou a divisão de indenização trabalhista recebida pelo ex-marido após a dissolução conjugal. No primeiro momento em que se discutiu o caso, a Turma determinou o retorno do processo ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) para que fossem coletadas informações a respeito do período em que a indenização teve origem e foi reclamada em ação trabalhista. O TJSP julgou os embargos de declaração no caso, que acabaram rejeitados. O fundamento desta primeira decisão se baseou no fato de que não havia omissão a ser sanada, uma vez que seria irrelevante saber a época da reclamação e do recebimento da indenização, pois a verba permaneceria incomunicável na partilha.

Em julgamento de recurso especial contra essa decisão, o relator, ministro Luis Felipe Salomão, reafirmou a importância da identificação do período de surgimento e reclamação da indenização em ação trabalhista para a solução do litígio. Como o STJ não conseguiu constatar os detalhes do fato no recurso especial, a Quarta Turma deu provimento a outro recurso para determinar novamente o retorno do processo ao TJSP. Com a superação da questão da comunicabilidade da indenização trabalhista, a corte paulista deverá verificar o período em que foi exercida a atividade que motivou a ação trabalhista.

Segundo Cláudia Tannuri, por ocasião do divórcio, as regras de partilha dos bens variam de acordo com o regime de bens adotado no casamento. O regime legal, que é o da comunhão parcial, prevê como regra geral a comunicabilidade de todos os bens adquiridos onerosamente durante o casamento, excluindo os bens adquiridos por doação ou sucessão e aqueles que já eram do cônjuge antes do casamento. “Já na comunhão universal, há em regra a comunicabilidade de todos os bens, adquiridos antes e durante o casamento. No regime da separação convencional ou obrigatória, que é aquela imposta por lei, por exemplo, aos maiores de setenta anos, não há comunicabilidade de bens, possuindo cada cônjuge seu patrimônio particular”, completa.

8 de out. de 2014

HISTÓRIA HOJE - Há 50 anos, surgia grupo de guerrilha que originou o MR8

Há 50 anos, surgia grupo de guerrilha que originou o MR8

Apresentação Márcia Dias


Em 1964 um grupo de universitários da cidade de Niterói, filiado ao Partido Comunista Brasileiro, criou uma ala que se auto denominou como Dissidência do Rio de Janeiro. Com os anos, a dissidência tomou corpo e virou o MR8 em memória ao dia em que Che Guevara foi capturado, na Bolívia, em oito de outubro de 1967.

A organização, que atuava como um grupo de guerrilha urbana, se tornou mundialmente famosa por sua atuação no sequestro do embaixador norte-americano no Brasil, Charles Elbrick. O sequestro, ocorrido em setembro de 1969, foi realizado em conjunto com a Ação Libertadora Nacional, de São Paulo.
No rastro do sequestro do embaixador, os integrantes do grupo foram duramente perseguidos, resultando na morte e prisão de muitos militantes, o que levou à quase extinção da organização.

Apesar da repressão radical, as operações armadas do MR-8, com roubos, assaltos a bancos e supermercados, prosseguiram no Rio de Janeiro. Militava No MR-8 Iara Iavelberg, então companheira do ex-capitão Carlos Lamarca.

Em 1971, com a desarticulação da Vanguarda Popular Revolucionária, da qual Lamarca era dirigente, o MR-8 passou a contar com a militância desse líder guerrilheiro.
Com as mortes de Lamarca no interior da Bahia e de Iara em Salvador ainda em 1971, a maioria dos militantes do MR8 se retirou para o Chile.
 O grupo foi reestruturado posteriormente com outras orientações. A preferência por ações armadas deu lugar à atuação política, e o MR8 foi abrigado no MDB.

O MR8 continua atuando até hoje junto a diversas organizações políticas, nos sindicatos de trabalhadores e nos movimentos estudantis.
O seu braço juvenil é a Juventude Revolucionária Oito de Outubro, JR-8. Atualmente o MR-8 vem se organizando como o Partido Pátria Livre.

HISTÓRIA HOJE - Há 165 anos, morreu o poeta norte-americano Edgar Allan Poe

Há 165 anos, morreu o poeta norte-americano Edgar Allan Poe

Apresentação Dilson Santa Fé


Ele que marcou a história da literatura com narrativas de terror e mistério, tendo influenciado grandes autores. Poe foi pioneiro entre os escritores americanos de contos, sendo considerado o inventor do gênero ficção policial. As obras dele foram um marco para a literatura norte-americana contemporânea, com destaque para o seu mais famoso poema, “O Corvo”, de 1845.

Mas apesar da popularidade, os vícios e os escândalos tornaram o escritor incompreendido no próprio país. Depois de vários dias de consumo excessivo de bebidas, Edgar Allan Poe morreu aos 40 anos de idade.

Sensor captura 12 vezes mais cores que olho humano

Sensor captura 12 vezes mais cores que olho humano

Redação do Site Inovação Tecnológica - 07/10/2014
Sensor multiespectral captura 12 vezes mais cores que olho humano
Informação espectral da mesma imagem, vista através de um sistema RGB de três cores (esquerda) e por meio do novo sistema com 36 canais de cor (direita).[Imagem: Universidade de Granada]
Sensor multiespectral
Embora poucos se lembrem de filmes e fotografias em preto e branco, só há poucos dias engenheiros conseguiram construir sensores de luz que realmente enxergam em cores.
Os sensores de imagem das câmeras - os chamados CCDs - têm uma arquitetura que consiste em um sensor monocromático (preto e branco) recoberto por uma camada de filtros de cor (vermelho, verde e azul, ou RGB, na sigla em inglês).
Esta arquitetura só permite extrair a informação de uma destas três cores em cada pixel. Para extrair a informação das demais cores de cada pixel é necessário aplicar algoritmos que, na maioria dos casos, estão entre os segredos mais bem guardados de cada fabricante.
Agora, pesquisadores italianos e espanhóis criaram um novo tipo de sensor multiespectral que é capaz de capturar até 12 vezes mais informações de cores do que o olho humano.
A nova arquitetura, batizada de Detectores de Campo Tranversos (TFD: Transverse Field Detectors), elimina a necessidade da camada de filtros de cores utilizada hoje, e gera diretamente 36 canais de cores.
Profundidade dos fótons
A equipe tirou proveito do fato de que cada fóton penetra no sensor a uma profundidade diferente dependendo do seu comprimento de onda, isto é, de sua cor.
Coletando os fótons a diferentes profundidades no material semicondutor, os diferentes canais de cores podem ser separados sem a necessidade de filtros ópticos.
Este princípio já havia sido explorado antes, mas Miguel Martínez e seus colegas descobriram que "aplicando um campo elétrico transverso de intensidade variável nós podemos modular a profundidade na qual os fótons em cada canal de cor são coletados".
"Imagens multiespectrais abrem uma série infinita de possibilidades dentro dos mais diversos campos da ciência: imagens médicas, sensoriamento remoto, imagens de satélite, aplicações industriais, visão robótica, carros sem motoristas e um longo etcetera de usos potenciais, que atraem o interesse crescente de cada vez mais cient

7 de out. de 2014

No Sul Fluminense e Costa Verde, Região fica dividida entre presidenciáveis.



No Sul Fluminense e Costa Verde, Região fica dividida entre presidenciáveis.

As urnas dos principais colégios eleitorais do Sul Fluminense e da Costa Verde mostraram equilíbrio na corrida presidencial. O primeiro lugar nos municípios revezou entre a presidente Dilma Rousseff (PT), o presidenciável Aécio Neves (PSDB) e a candidata do PSB, Marina Silva, que ficou fora do segundo turno.

Em Barra Mansa, Dilma recebeu 38% dos votos e ficou em primeiro lugar. O segundo lugar ficou com Marina Silva, que atingiu 29% dos votos, enquanto a terceira posição ficou com Aécio, que teve 27%.

A presidente Dilma também venceu no município de Barra do Piraí. A petista ficou com 35% dos votos, seguida por Aécio com 30% e Marina, com 28%.

Já em Resende, o peessedebista Aécio Neves venceu com 41% dos votos, seguido por Marina com 27,42% e Dilma com 27,25%.

Em Volta Redonda, Marina e Dilma travaram uma disputa acirrada, que terminou com a vitória da candidata do PSB, com 36%, contra 34% da petista. Aécio ficou em terceiro com 24%.

O equilíbrio também se manteve nas urnas da Costa Verde. Em Angra, a presidente Dilma venceu com 38% contra 32% de Aécio, que ficou em segundo. Marina terminou em terceiro com 24%.

Em Paraty, Aécio venceu com 40% e Dilma ficou em segundo com 28%, seguida por Marina, com 26%. Por sua vez, em Mangaratiba, Marina ficou em primeiro lugar com 39% dos votos contra 29% de Dilma. Aécio ficou em terceiro com 26%.

1 de out. de 2014

Análise: Punir Fidelix seria um desserviço ao processo eleitoral

Análise: Punir Fidelix seria um desserviço ao processo eleitoral

O candidato à Presidência da República Levy Fidelix (PRTB) deu algumas declarações fortes sobre homossexuais e já há uma fila de pessoas e instituições, que incluem a também candidata Luciana Genro (PSOL), a OAB e a Rede –o quase partido de Marina Silva–, querendo tomar medidas judiciais contra ele. Há quem defenda até que seu registro seja cassado.

Não há dúvida de que o respeito à diversidade sexual humana representa um ganho civilizacional. É perfeitamente compreensível que a porção mais esclarecida da sociedade se sinta ultrajada com as palavras do postulante, mas, ao tentar calá-lo, pode estar cometendo um grande erro.

Em primeiro lugar, campanhas políticas são, por definição, o espaço no qual os candidatos devem submeter com a maior clareza possível suas ideias ao escrutínio popular. Se há uma crítica procedente aqui é a de que os postulantes de um modo geral se expõem muito pouco. Punir um deles por ter dito o que de fato pensa, independentemente do conteúdo desse pensamento, seria um desserviço ao processo eleitoral.

Num plano mais institucional, mesmo reconhecendo que não existem direitos absolutos, deve-se destacar que a liberdade de expressão só faz sentido se for assegurada em sua forma robusta. Ninguém, afinal, precisa de licença para dizer o que todos querem ouvir. Ou bem o instituto abarca todas as opiniões possíveis, notadamente aquelas execradas pela maioria da população, ou é inútil.

O linguista norte-americano Noam Chomsky é autor de uma frase que exprime bem o problema: "Se você é a favor da liberdade de expressão, isso significa que você é a favor da liberdade de exprimir precisamente as opiniões que você despreza".

E por que a liberdade de expressão é um valor a preservar? Temos dois bons motivos para isso. O primeiro é pela questão de direito. Ainda que com graus variados de rebeldia, nenhum de nós gosta de delegar a terceiros a decisão sobre o que podemos ou não dizer a nossos filhos, amigos ou concidadãos.

O segundo é um motivo mais pragmático. A liberdade de expressão tende a tornar a sociedade melhor. Ainda que isso nem sempre fique escancarado, a liberdade de expressão e suas irmãs, a liberdade de pensamento e a de imprensa, estão na base de muitas das instituições que definem a modernidade.

Outro aspecto interessante da liberdade de expressão é que, ao assegurar que todos os temas possam ser discutidos sob todas as perspectivas, ajuda a sociedade a encontrar o balanço entre mudança e estabilidade.

Foi desse diálogo, possibilitado pela liberdade de expressão, que brotou, por exemplo, a convicção já quase universal de que as preferências sexuais de uma pessoa não devem afetar seus direitos como cidadão. É irônico que parte da comunidade homossexual queira agora chutar a escada que contribuiu para sua emancipação.