Detran aumenta fiscalização e reduz agendamentos nos postos de VR e BM
João Marcos Coelho
Carros são levados para depósito no Jardim Guanabara, em Barra Mansa
Natacha Prado
natacha.prado@diariodovale.com.br
Volta Redonda e Barra Mansa
Motoristas
de Barra Mansa e Volta Redonda estão reclamando das constantes
fiscalizações do Detran (Departamento Estadual de Trânsito) feitas em
pontos estratégicos das cidades, até nos finais de semana. E mais: o
número de agendamentos para vistoriar os carros - nos postos das duas
cidades - foi reduzido. Resultado: os motoristas que pagaram o IPVA
(Imposto de Propriedade de Veículos Automotores) não conseguem fazer a
vistoria e são multados ao circularem sem a documentação necessária.
Durante
as 34 operações realizadas somente em Barra Mansa, desde o início do
ano, foram apreendidos 746 veículos. No mesmo período, foram feitas 10
operações e 168 carros recolhidos em Volta Redonda. O total de veículos
apreendidos no Sul Fluminense alcançou a marca de 1.070. Detalhe: Volta
Redonda e Barra Mansa foram responsáveis por 85% das apreensões na
região - 914 veículos.
Em entrevista ao DIÁRIO DO VALE, um
funcionário do Detran de Barra Mansa, que não quis se identificar, disse
que o número de vistoria realizada no posto de Saudade foi reduzido.
-
Tivemos que ajustar os atendimentos de acordo com a capacidade. A
mudança foi efetivada há 15 dias, após o órgão recebeu muitas
reclamações. Os condutores chegavam ao posto sem paciência, já que eram
obrigados a ficar mais de uma hora do lado de fora da unidade. Esse
problema foi resolvido, mas o número de carros que precisa ser
vistoriado continua o mesmo - frisou.
O funcionário ainda disse
que os agendamentos realizados pelo telefone foram cancelados, e as
vistorias só podem ser agendadas pelo site do Detran.
- Existem
pessoas que não estão conseguindo vistoriar o carro e acabam sendo
surpreendidas pelas blitzes. As fiscalizações estão intensas. As equipes
estão trabalhando em postos estratégicos, inclusive, aos domingos. Vale
ressaltar também que cada final de placa possui um determinado tempo
para agendar a vistoria. As pessoas que estão sendo multadas tiveram até
o dia 30 do mês passado para fiscalizar o veículo - disse.
Segundo ele, mesmo estando com todas as taxas pagas, o carro pode ser apreendido se não tiver renovado a licença de circulação.
-
Ninguém é privilegiado. Não importa se tem criança ou pessoas
deficientes. O que importa para os vistoriadores é a documentação do
veículo. Também precisamos lembrar que a fiscalização deve abranger
somente as documentações irregulares e que não foram renovadas. Os
carros com final 8 ou 7, por exemplo, ainda não podem ser apreendidos,
já que têm até o dia 30 deste mês para fazer a vistoria - salientou.
Os carros apreendidos são levados para o depósito do Detran, localizado no bairro Jardim Guanabara, em Barra Mansa.
Cai venda de extintores
O
vendedor de extintores Diogo Torres, que fica na porta do posto do
Detran, no São Luiz, em Volta Redonda, também confirmou que as vistorias
foram reduzidas. Ele explicou que agora comercializa diariamente
aproximadamente 60 extintores.
- Nossa venda era maior, porém o
órgão reduziu o número de vistoria. Muitas pessoas estão dizendo que as
vistorias estão sendo agendadas para o posto de Barra do Piraí. Cada
agendamento sofreu diminuição de 100 veículos. Antes da redução de
agendamentos, os condutores demoravam cerca de duas horas esperando pela
vistoria - falou.
Detran confirma redução de agendamentos para vistoria
O
subchefe do posto do Detran de Volta Redonda, Frederico Marchi,
declarou que os agendamentos são realizados de acordo com a capacidade
da unidade, e confirmou que o agendamento para vistorias foi reduzido.
-
Estávamos recebendo muitas reclamações. A solução encontrada pelas
equipes do Rio foi diminuir o número de agendamentos. Antes os
atendimentos eram ofertados para 400 veículos, porém o número reduziu
para 260. A preocupação é com a frota de carros que continua crescendo
no município. Não podemos esquecer que existe uma demanda de veículos
que necessitam ser vistoriados para continuar circulando pelas ruas.
Além disso, ainda precisamos atender as pessoas que tiveram o carro
reprovado e acabam voltando no dia seguinte para renovar a licença -
disse.
Ele informou ainda que o posto tem seis linhas de vistorias, feitas por nove funcionários.
-
Esse número de funcionários sofre um acréscimo na parte da tarde,
aumentando para 10 vistoriadores. Além disso, contamos com técnicos que
realizam a manutenção das máquinas. Acredito que a solução para diminuir
o congestionamento é a ampliação do posto de vistoria. As demais
alterações resolverão de maneira momentânea as reclamações relacionadas
aos postos - completou.
Posto de apreensão
Por volta das
17 horas de ontem, aproximadamente 25 pessoas estavam aguardando o
atendimento para liberação dos veículos apreendidos em blitzes, no posto
do Jardim Guanabara. O motorista Valério dos Santos Andrei reclamou da
demora e do excesso de burocracia para conseguir voltar para casa com o
veículo.
- Estava com a documentação atrasada há três dias. O
valor do guincho e da diária é muito grande. Vale a pena correr e pagar a
quantia, pois o acúmulo pode gerar uma dívida - afirmou.
Antônio
de Oliveira - que estava acompanhando a filha que teve o carro
apreendido - declarou que todas as taxas de renovação já tinham sido
pagas, porém a vistoria não tinha sido marcada.
- Antes o
problema era com a demora no atendimento. Agora a situação mudou, já que
as opções de dias são poucas. Minha filha tentou agendar mais não
conseguiu. O Detran precisa arrumar uma forma para viabilizar as
vistorias. Se o problema não for solucionado, outras pessoas vão passar
pela mesma situação que a minha filha. Sem falar nos valores absurdos
que são cobrados. Os órgãos esquecem que os condutores contribuem com
impostos e que precisam do retorno por meio da prestação de serviço -
reclamou.
Jorge Luiz contou que foi obrigado a pagar R$ 1,3 mil
pelos cinco dias em que o veículo ficou apreendido no depósito. Ele
falou que o maior problema é com a demora da liberação do carro, já que
documentos desnecessários são exigidos.
- Eles pedem os
documentos do financiamento do carro. Infelizmente essa regularização é
demorada e acaba sendo custosa para o condutor. Parece que é do
interesse deles que o veículo fique parado no depósito. Além disso, eles
não estão só recolhendo por falta de documentação. Existem carros que
são levados para o depósito em função de uma lanterna quebrada. Isto é
um problema que poderia ser resolvido facilmente - afirmou.
Auxílio policial
O
comandante do 28º BPM (Batalhão de Polícia Militar), coronel Igor
Magalhães, afirmou que o papel da corporação durante as blitzes é apoiar
e preservar a integridade física dos agentes do Detran.
- O
órgão solicita o apoio da PM, através de ofício. A base do nosso
trabalho é a preservação dos agentes, porém, em situações
extraordinárias os policiais realizarão as ocorrências normalmente -
disse.
O comandante da Guarda Municipal de Volta Redonda, major
Luiz Henrique Barbosa, explicou que o órgão é totalmente favorável às
blitzes, já que as operações diminuem consideravelmente o número de
acidentes.
- Essa iniciativa também força as pessoas a andarem
habilitadas. Volta Redonda é uma cidade diferenciada, onde mais de 90%
das ruas são sinalizadas. Então, o fator veículo e condutor precisa ser
checado. Acho que quem está certo não reclama das blitz. O Código de
Trânsito Brasileiro foi instituído com o objetivo de salvar vidas e deve
ser seguir criteriosamente - disse.
Prefeitura de BM critica atuação do Detran
A
prefeitura de Barra Mansa informou, através de nota, que está
insatisfeita com a forma como o Detran está realizando fiscalizações de
veículos na cidade.
De acordo com o secretário municipal de Ordem
Pública, Ebison Diettrich, o governo não se posiciona contra as
operações do órgão, mas reconhece o grande número de contratempos
decorrentes das numerosas fiscalizações.
- Nós acreditamos que se
o Detran concentrasse seus esforços para aprimorar o atendimento nas
vistorias e preparasse melhor seus funcionários, isso tornaria o
trabalho mais eficiente e não haveria necessidade de fiscalizações tão
frequentes - argumentou.
Diettrich garantiu que a prefeitura continuará buscando meios de remediar a situação.
-
Vamos pedir o intermédio de autoridades do governo do Estado para que
este problema seja resolvido pacificamente, tendo em vista que essas
operações não estão acontecendo apenas em Barra Mansa. Por isso, pedimos
à população que tenha paciência - disse.
Posicionamento do Detran
O
órgão informou, por meio de nota, que as operações estão sendo feitas
em todas as cidades, e que pretende dar continuidade nas operações. Além
disso, o Departamento orientou que os proprietários devem retirar o
veículo no prazo de 90 dias, sendo sujeito a leilão após o período.
O
Detran alertou que, mesmo com a vistoria marcada, os veículos que não
estiverem licenciados serão levados para o depósito, passando por toda a
burocracia natural para a posterior liberação.
Tabela de taxas de diárias e remoção
Classificação Taxa de Diária Taxa de Remoção
Leve A (moto, motoneta e ciclomotor) R$ 30,43 R$ 56,69
Leve
B (automóvel, utilitário até 8 passageiros, caminhonete, camioneta,
triciclo e
quadriciclo) R$
66,48 R$ 140,32
Leve C (utilitário
acima de 8 passageiros ou de transporte de
carga)
R$ 104,92 R$ 203,22
Pesado (ônibus e caminhão) R$ 129,09 R$ 286,67
Mãe leva Habilitação para o filho e acaba presa
Uma
mulher foi presa por desacato - durante uma fiscalização do Detran -,
no início da tarde de ontem, por volta das 12 horas, Rua da Ribeira, no
Santo Agostinho. A mulher levou a Carteira de Habilitação para o seu
filho que estava tendo o veículo, um I30, placa KNZ-4160, apreendido
pelo órgão. Ao chegar no local, o veículo já estava lacrado e sendo
levado para o depósito.
- Ela chegou ao local com a carteira do
filho, porém tentou impedir que o veículo fosse apreendido. A mulher
ainda falou de forma áspera com os policiais que estavam fazendo a
segurança dos agentes. O PM deu voz de prisão para a mulher que foi
levada para a delegacia algemada. Ela assinou o termo de compromisso e
foi liberada. Além disso, a mulher também foi autuada pelo crime de
desacato - disse o delegado adjunto da 93ª DP, Márcio Figueroa.
Deputados da região falam sobre operações do órgão
Joseane Ramos
joseane.ramos@diariodovale.com.br
Deputados
da região falaram sobre as operações feitas pelo Detran.O deputado
estadual Gotardo Netto (PSB) disse que, há duas semanas, solicitou uma
audiência com o diretor do Detran, Fernando Avelino. Ele afirmou que a
fiscalização de irregularidades é uma situação plausível, mas o excesso
de blitzes na região é inadmissível.
- A questão da Lei Seca, por
exemplo, é uma situação indiscutível. Eu acho que o Detran estando nas
ruas para verificar irregularidades diminui os riscos de acidentes, mas o
órgão tem que dar às pessoas o direito de se regularizar. Às vezes o
condutor não tem dinheiro para pagar as vistorias - disse.
Sobre o
fato de constantemente motoristas terem seus veículos apreendidos mesmo
tendo agendado a vistoria, Gotardo argumentou que, contra isso, o órgão
tem condições de verificar se existe agendamento previsto para o
veículo. Ele salientou que pretende discutir sobre a verificação de
marcação de vistorias também na audiência.
- A proposta é boa,
mas o Detran tem condições, por exemplo, de enxergar se existe
agendamento de vistoria. Precisamos rever a questão dos excessos e a
postura do próprio Detran. Por isso, solicitei a reunião. Ainda não
recebi resposta sobre o agendamento da audiência - informou.
O
deputado estadual Nelson Gonçalves (PMDB) declarou que também vai
solicitar informações ao Detran. Para ele, "é importante saber a
periodicidade das blitz e o motivo das ações".
- Pedirei
informações ao Detran sobre estas blitzes na nossa região. É importante
que sejamos informados da periodicidade e o motivo pelo qual tem levado
estas ações a acontecerem de forma intensa, principalmente na nossa
cidade - declarou.
Nelson Gonçalves enfatizou ainda que considera fundamental o acompanhamento das ações desenvolvidas pelo órgão.
- Independente da legalidade destas blitzes é fundamental que estas ações sejam devidamente acompanhadas - enfatizou.
A
deputada Inês Pandeló (PT) enfatizou que está preparando dois
procedimentos sobre o assunto, a serem apresentados na Alerj, na volta
do recesso parlamentar. Ela ressaltou que "está preocupada com o número
de blitzes realizadas nos municípios".
- Logicamente que eu acho
importante fiscalizar, mas sou contra, por exemplo, blitzes que
apreendem veículos que estão com taxa paga, e apenas aguardando
agendamento. O primeiro procedimento é isentar de vistorias os veículos
com até cinco anos de fabricação, porque as concessionárias fazem
vistorias, e os veículos estão relativamente novos. O outro procedimento
é pedir informações ao Detran sobre o número de blitz, o procedimento
de cada fiscalização e quantos veículos foram apreendidos. Além disso,
também busco saber o valor das multas e das diárias que são cobradas por
causa dos depósitos - disse.
A petista informou que enviou ao
Detran Barra Mansa um ofício solicitando melhorias no sistema de
atendimento aos condutores. Ela relatou que as filas e a demora no
atendimento estariam incomodando os motoristas.
- As facilidades,
como a redução do IPI, aumentaram a frota, e com isso aumentou o número
de carros que procuram o Detran para regularizar. Em Barra Mansa,
mandei um ofício e houve redução das filas. Eu defendo que o agendamento
seja mais rápido - informou.
A deputada estadual Cida Diogo (PT)
disse que está acompanhando as atividades da Comissão de Defesa do
Consumidor da Alerj, que já foi notificada sobre as constantes
reclamações dos condutores sobre as blitz intensas. Segundo a petista, o
colegiado está se movimentando.
- Os excessos têm acontecido não
só na região, mas em todo o estado. A situação tem que ser conversada.
Tem que haver a fiscalização, assim como a lei seca, mas estão excedendo
no papel. Estou acompanhando o trabalho da comissão, porque as
atividades de um colegiado tem mais impacto do que ações individuais -
disse.
Cida Diogo afirmou ainda que "seria fundamental a criação de normas internas para fiscalização".
-
Precisamos forçar, de alguma maneira, para que haja aberturas de
diálogos com o Detran. Acredito que o órgão também tem que fazer uma
norma interna, para ter cuidado de não ir além - finalizou.
O
DIÁRIO DO VALE tentou contato com o deputado estadual Edson Albertassi
(PMDB), mas até o fechamento desta edição não recebeu retorno das
ligações.