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16 de nov. de 2012

Dom Pedro II foi comunicado um dia depois da Proclamação da República

Exilado do país, monarca brasileiro morreu dois anos após a instauração do regime republicano presidencialista de 1889
Renan Rossi
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Pedro II morreu na França, foi enterrado em Portugal e seus restos mortais voltaram ao Brasil em 1921
Foto: Divulgação
A Proclamação da República, comemorada em 15 de novembro, foi responsável por uma mudança fundamental na política brasileira. Era o fim da monarquia e o início do regime presidencialista. No entanto, a história avança com os livros e o que aconteceu com Dom Pedro II após o golpe de Estado raramente é debatido nas salas de aula.
Antes de 1889, o Brasil havia tomado gosto, na visão dos militares, pelo regime republicano, durante a participação do país na Guerra do Paraguai (1864-1870), na qual cerca de 300 mil paraguaios, entre civis e militares, foram dizimados pela chamada Tríplice Aliança, composta por Brasil, Argentina e Uruguai.
Sem autonomia e sempre comandados pelo imperador, os militares começaram a se organizar e se fortalecer. A própria Igreja Católica havia cortado relações com o Império após a Abolição da Escravatura, em 1888, que não indenizou os proprietários de escravos.
Sob o Comando do Marechal Deodoro da Fonseca, em levante político-militar ocorrido na Praça da Aclamação (atual Praça da República), no Rio de Janeiro, em 15 de novembro de 1889, os militares tomaram o poder instituíram o chamado Governo Provisório.
Dom Pedro II soube do golpe apenas um dia depois, quando o novo regime já suprimia qualquer tentativa de criação de partidos monarquistas ou publicações em jornais. Exilado do país, o até então imperador passou seus últimos dias na França, sozinho, debilitado, sem recursos e escrevendo em um diário a possibilidade de retornar ao Brasil.
Em 5 de dezembro de 1891, Dom Pedro II faleceu, vítima de uma pneumonia. Em um registro de suas últimas palavras, o imperador destituído afirmava: “Deus que me conceda estes últimos desejos – paz e prosperidade para o Brasil”. Em seu caixão, foi colocada uma porção de terra brasileira, em pedido feito por Dom Pedro antes de morrer.
O funeral de Dom Pedro II teve a presença de 300 mil pessoas, entre populares e membros políticos de diversas nações do continente americano, europeu e países distantes como Japão, Turquia, China e Pérsia. Seu corpo foi enterrado em Portugal.
Os militares brasileiros proibiram manifestações populares no país pela morte do imperador. Mas o apreço por Dom Pedro II era forte e as pessoas vestiram tarjas pretas nas roupas e realizaram diversas missas solenes por todo o território brasileiro.
A admiração pelo imperador era imensa na época e os brasileiros o consideravam um herói, governante sábio, benevolente, austero e honesto. Historiadores do século XX, apesar de não defenderem a volta da monarquia, sempre apontaram Pedro II como um modelo de homem a ser seguido e com fortes ideais, às vezes até mesmo o utilizando para criticar os regimes republicanos e ditatoriais que se instauraram no Brasil anos depois.
Em 1921, o corpo do imperador foi trazido de volta ao Brasil, durante as comemorações do centenário da independência, em 1922. O momento foi descrito como a reconciliação entre o Brasil republicano e seu passado monárquico. O historiador Pedro Calmon descreve, em um trecho de seus textos, a seguinte frase: “Os velhos choravam. Muitos ajoelhavam-se. Todos batiam palmas. Não se distinguiam mais republicanos e monárquicos. Eram brasileiros”.

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